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SUS troca insulina diária múltipla por aplicação única para diabéticos

15/07/2026 às 06h35
insulina dose única

O Ministério da Saúde iniciou a substituição da insulina NPH pela insulina glargina (de aplicação única) no Sistema Único de Saúde (SUS). A troca ocorre em etapas e alcança, nesta fase, crianças e adolescentes de 2 a 17 anos com diabetes tipo 1 e pessoas com 70 anos ou mais com diabetes tipo 1 ou tipo 2.

A insulina glargina mantém efeito por até 24 horas. Na maioria dos casos, o paciente aplica a insulina uma vez ao dia. Outros esquemas de tratamento podem exigir até três aplicações no mesmo período. Segundo o Ministério da Saúde, o uso da glargina reduz o risco de episódios de hipoglicemia, inclusive à noite, e diminui a oscilação da glicose no sangue. Diferente da NPH, a glargina não precisa de agitação antes da aplicação.

A mudança decorre da redução na produção de insulina humana NPH no mundo. A NPH ainda responde por 90% da insulina distribuída pelo SUS, segundo a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério, Fernanda De Negri. O acesso à glargina em todo o país foi viabilizado por uma parceria que amplia a fabricação do medicamento no Brasil.

Como conseguir o medicamento

Para receber a insulina glargina, o paciente, pais, responsáveis ou cuidadores devem procurar a unidade básica de saúde (UBS) mais próxima com a receita médica carimbada. Uma equipe multiprofissional avalia o quadro clínico e a possibilidade de troca do tratamento. Junto com a insulina, a unidade entrega uma caneta de aplicação, com validade de três anos, além das agulhas para a aplicação. O paciente também recebe orientação sobre a técnica de aplicação e o armazenamento do medicamento.

Distribuição pelo país

O Ministério da Saúde enviou até essa segunda-feira (13) mais de 254 mil tubetes de insulina glargina a 16 estados e distribuiu 52.350 canetas para aplicação. A previsão é que todos os estados recebam os insumos até o fim de julho. O envio segue o planejamento e os pedidos das secretarias estaduais e municipais de saúde, e o medicamento chega às farmácias de atenção primária, como as das UBS, conforme a organização de cada município.

Piloto testou a troca antes da expansão

Antes da expansão ao país, o Ministério da Saúde testou a troca em um piloto iniciado em março, no Amapá, no Distrito Federal, na Paraíba e no Paraná, com crianças e adolescentes de 2 a 17 anos com diabetes tipo 1 e idosos com 80 anos ou mais com diabetes tipo 1 ou tipo 2. O piloto permitiu acompanhar o uso da glargina no atendimento a pacientes, identificar gargalos na logística e ajustar o processo para a distribuição em todo o país.

Nota técnica orienta cálculo da dose

O Ministério da Saúde publicou uma nota técnica com orientação para a transição de NPH para glargina na atenção primária. O documento, divulgado pela Sociedade Brasileira de Diabetes, alerta que a conversão automática da dose, usando uma redução de 20% como padrão, pode manter excesso de insulina basal em pacientes cuja dose diária total vem, em boa parte, de NPH, o que aumenta o risco de hipoglicemia. Para apoiar o cálculo da dose inicial de glargina a partir do esquema de NPH em uso, o Ministério da Saúde criou uma calculadora, conforme os parâmetros da nota técnica.

Pedro Rocha Franco

Pedro Rocha Franco é jornalista desde 2007 e bacharel em ciências sociais. Foi repórter do jornal Estado de Minas, editor do portal O Tempo e head do departamento de jornalismo digital da Itatiaia. Hoje é gerente executivo do BHAZ. Além disso, colaborou com UOL e Repórter Brasil.

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