A violência contra as mulheres crescem 28,8% em dias de jogos de futebol, segundo a segunda edição do estudo “Futebol e Violência Contra a Mulher” do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Belo Horizonte está entre as cinco capitais utilizadas na pesquisa, que também inclui Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.
O levantamento analisou boletins de ocorrência registrados entre 2023 e 2025 relacionados a dois tipos de violência: ameaça contra mulheres e lesão corporal dolosa decorrente de violência doméstica. Para a análise, foram considerados os dias em que algum time da cidade disputou uma partida, independentemente de o jogo ter sido realizado em casa ou fora.
Os dados apontam aumentos significativos nos registros de violência nesses dias. Entre as mulheres de 15 a 29 anos, os casos de ameaça cresceram 26,8%. Já os registros de lesão corporal contra mulheres dentro de casa aumentaram 35,1%.
Em 2025, de acordo com o 20° Anuário Brasileiro de Segurança Pública (FBSP, 2026), foram registrados em todo o país mais de 280 mil boletins de ocorrência de lesão corporal decorrente de violência doméstica, além de 790 mil boletins de ameaças contra mulheres, o crescimento de 16% e 20% desde 2019, respectivamente.
Os pesquisadores ressaltam, porém, que os resultados não permitem afirmar que o futebol seja a causa da violência contra as mulheres. Segundo o estudo, os dias de jogos podem atuar como um catalisador de dinâmicas patriarcais já existentes, potencializando situações de violência.
Recorte racial
Em relação à raça, o estudo aponta diferenças no aumento dos registros de violência em dias de jogos. Entre as mulheres negras, há um aumento de 14,6% nos registros esperados de ameaça. Já entre as mulheres brancas, o crescimento chega a 30,9%.
Nos casos de lesão corporal dolosa relacionada à violência doméstica, o aumento é ainda maior. Entre as mulheres negras, os registros policiais crescem 23,2% em dias de jogos, enquanto entre as mulheres brancas o crescimento esperado chega a 36,2%.
O estudo levanta a hipótese de que essa diferença esteja relacionada à exposição desigual ao contexto de lazer associado ao futebol. Segundo os pesquisadores, mulheres brancas teriam maior inserção em atividades dessa natureza em comparação às mulheres negras. A hipótese também aponta para uma distribuição desigual do tempo livre, marcada por diferenças raciais e sociais.








