O governo dos Estados Unidos vai executar por fuzilamento o ex-major do Exército Nidal Malik Hasan, de 56 anos. Ele foi condenado à morte pelo ataque a tiros que matou 13 pessoas e feriu 32 na base militar de Fort Hood, no Texas, em 2009. O anúncio foi feito na segunda-feira (5) pelo porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, nas redes sociais. Segundo ele, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, recomendou o pelotão de fuzilamento, e o presidente Donald Trump aprovou. “Chegou o dia do julgamento para Hasan”, escreveu Parnell.
Se o fuzilamento acontecer, será a primeira execução feita pelas Forças Armadas americanas em 65 anos. Também será o primeiro fuzilamento do Exército desde a Segunda Guerra Mundial.
Quando e onde
A data e o local ainda serão definidos pelo secretário do Exército. Pelas regras da Força, a execução precisa ocorrer entre 60 e 150 dias depois da aprovação presidencial. Isso dá uma janela que vai do início de dezembro ao começo de março de 2027. O regulamento também exige que pelo menos dois veículos de imprensa sejam escolhidos para testemunhar o fuzilamento.
Hasan está preso no corredor da morte militar em Fort Leavenworth, no Kansas, onde há apenas quatro condenados. Em junho, a rede ABC News revelou que o Exército já planejava retomar as execuções militares.
O prazo, porém, não é garantido. Hasan ainda pode recorrer à Justiça federal civil com um pedido de habeas corpus, e especialistas dizem que isso pode atrasar o processo por anos. Há precedente. Em 2008, o então presidente George W. Bush aprovou a execução do soldado Ronald Gray, mas um juiz federal suspendeu o procedimento, e Gray continua no corredor da morte até hoje.
O ataque em Fort Hood
Hasan nasceu em Arlington, na Virgínia, em 1970, filho de imigrantes palestinos, e era psiquiatra do Exército. Em 5 de novembro de 2009, semanas antes de ser enviado ao Afeganistão, entrou armado no centro onde soldados faziam exames médicos antes de partir para o Iraque e o Afeganistão, e abriu fogo. Morreram 12 militares e um civil. Ele foi baleado por policiais e ficou paraplégico.
A investigação mostrou que Hasan havia mantido contato com o clérigo radical Anwar al-Awlaki, que depois se tornou uma das figuras centrais da Al-Qaeda na Península Arábica. No julgamento, em 2013, Hasan dispensou advogados, fez a própria defesa e quase não contestou as acusações. Disse ter atacado para impedir que os soldados fossem ao Afeganistão matar muçulmanos. Foi condenado por 13 homicídios premeditados e 32 tentativas de homicídio e sentenciado à morte.
O último recurso relevante de Hasan foi rejeitado em abril de 2025. Depois disso, a defesa levou à Suprema Corte o argumento de que o direito dele a um julgamento público foi violado. Segundo a defesa, isso aconteceu quando o juiz esvaziou a sala de audiência para tratar de questões com os advogados.
A volta do pelotão de fuzilamento
A última execução militar dos EUA foi em 1961. Naquele ano, o soldado John Bennett foi enforcado em Fort Leavenworth, condenado por estuprar e tentar matar uma menina de 11 anos na Áustria. O último fuzilamento conhecido do Exército foi o do soldado Eddie Slovik, executado na França em 1945 por deserção.
O pelotão de fuzilamento voltou a ser um método federal em abril deste ano. Na ocasião, o Departamento de Justiça do governo Trump incluiu o fuzilamento entre as formas autorizadas de execução, ao lado da asfixia por gás e da eletrocussão. A aprovação do fuzilamento de Hasan veio poucos dias depois de uma execução por injeção letal fracassar no Tennessee, o que reacendeu o debate sobre os métodos usados no país.
A injeção letal que não matou
No dia 30 de setembro, o Tennessee tentou executar Christa Pike, de 50 anos, única mulher no corredor da morte do estado. Ela foi condenada pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, colega dela em um programa de formação profissional em Knoxville, em 1995. Segundo a acusação, Pike via a jovem como rival amorosa e a atraiu para um local isolado. Lá, com o namorado, atacou a vítima com um estilete e um pedaço de asfalto. O crime chocou o país pela brutalidade: um símbolo satânico foi gravado no corpo de Colleen.
A execução estava marcada para as 10h, mas um tribunal federal de apelação a suspendeu cerca de uma hora antes. O estado recorreu à Suprema Corte, que levou oito horas para liberar o procedimento.
Quando a cortina da sala de execução foi aberta para as testemunhas, Pike estava amarrada a uma maca, com um acesso venoso no braço. Disse que deixava o mundo com amor e que estava pronta para ser livre. Minutos depois, reclamou que o braço doía e ardia e perguntou se aquilo era normal. Os agentes aplicaram uma segunda dose do barbitúrico pentobarbital. Ela pareceu perder a consciência, mas continuou respirando por cerca de uma hora, às vezes com um som parecido com ronco.
A cortina foi fechada de vez às 20h06. Por volta das 20h50, as testemunhas foram retiradas da sala e informadas de que uma ambulância estava a caminho. O que aconteceu nesse intervalo ainda não foi explicado. As autoridades prisionais disseram apenas que o protocolo foi seguido.
Pike passou os primeiros dias inconsciente e respirando com ajuda de aparelhos. Segundo os advogados, os braços dela ficaram queimados e com bolhas. Ela recobrou a consciência no dia 6. Nesta quinta-feira (8), voltou a comer e deu alguns passos com ajuda. A defesa relata que ela tem dificuldades de memória e concentração.
A diretora-executiva do Death Penalty Information Center (DPIC), Robin Maher, classificou o caso como único. Pike é a única pessoa de que se tem registro a sobreviver depois de receber as drogas de uma injeção letal. Especialistas suspeitam de falha na colocação do acesso venoso, o que teria feito a droga se acumular no tecido em vez de entrar na corrente sanguínea. A defesa já havia alertado a Justiça de que Pike tem trombocitose, que é o excesso de plaquetas no sangue, e veias de difícil acesso.
A mãe de Colleen, May Martinez, assistiu a tudo e disse que a filha não teve justiça. Os advogados de Pike pedem que a pena seja convertida em prisão perpétua. O governador Bill Lee ordenou uma investigação independente e suspendeu a última execução prevista no estado para 2026. O chefe do sistema prisional do Tennessee pediu demissão. Foi a segunda falha do estado no ano. Em maio, a execução de Tony Carruthers foi interrompida porque a equipe não conseguiu instalar um segundo acesso venoso.
Pena de morte em alta
Os Estados Unidos registraram 47 execuções em 2025, o maior número desde 2009. O ritmo segue alto em 2026, puxado principalmente pela Flórida e pelo Texas. A pena de morte já foi abolida em 23 dos 50 estados americanos.

















