Uma viagem que deveria terminar em um novo corpo terminou em luto. A empresária Adriele da Silva Pinto, de 31 anos, morreu na madrugada de quarta-feira (26) horas depois de se submeter a uma bateria de quatro procedimentos estéticos em uma clínica de Ilhéus, no litoral sul da Bahia. Ela vivia nos Estados Unidos havia cerca de cinco anos e havia retornado ao Brasil especialmente para realizar as cirurgias. O caso expôs um histórico de dezenas de denúncias contra o cirurgião responsável e levou a Secretaria de Saúde do Estado (Sesab) a interditar, dias depois, o centro cirúrgico onde o procedimento ocorreu.
Uma cirurgia de horas que terminou em tragédia
Adriele deu entrada no Hospital Vida, em Ilhéus, na última segunda-feira (24), para passar por um pacote de procedimentos que incluía mastopexia com colocação de prótese de silicone, lipoescultura e outras intervenções de contorno corporal. A família teria pago cerca de R$ 50 mil pelo pacote.
A cirurgia, que deveria durar poucas horas, se estendeu muito além do previsto. De acordo com relatos, a paciente “passou mal” ainda durante a operação, e os familiares afirmam ter sido informados sobre a gravidade do quadro de forma tardia, somente depois de cobrarem notícias no hospital. A morte foi confirmada na madrugada do dia seguinte.
A causa oficial da morte ainda não está definida. Uma apuração citou hipertermia maligna, uma reação rara e potencialmente fatal a anestésicos. Mas o resultado definitivo depende da necropsia, que deve ficar pronta em até 30 dias. O corpo de Adriele foi sepultado em Ituberá (BA) em meio a manifestações públicas de familiares e amigos cobrando justiça.
Quem era Adriele da Silva Pinto
Empresária, Adriele tinha 31 anos e havia construído vida nos Estados Unidos, onde morava havia aproximadamente cinco anos. Ela aproveitou uma vinda ao país para realizar os procedimentos estéticos, atraída por preços mais acessíveis do que os praticados fora do Brasil.
O procedimento foi conduzido pelo cirurgião plástico Rossini Tebaldi Ruback, que atua na região de Itabuna havia mais de dez anos e é associado à Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Segundo o advogado da família de Adriele, o médico acumula mais de 40 denúncias de pacientes que alegam ter sofrido deformidades e complicações após procedimentos.
Hospital é interditado por falta de alvará
Um novo capítulo do caso veio à tona no fim da tarde de quinta-feira (27). A Sesab interditou cautelarmente o centro cirúrgico do Hospital Vida, em Ilhéus, constatando que a unidade não possuía alvará sanitário para funcionamento. Segundo Danilo Amorim, coordenador do Núcleo Regional de Saúde Sul, o hospital chegou a solicitar licenciamento à vigilância sanitária, mas não incluiu o centro cirúrgico no pedido.
O caso é apurado pela 1ª Delegacia Territorial de Ilhéus, que já expediu guias para perícia e remoção do corpo e afirma manter oitivas e diligências em andamento “para esclarecimento total dos fatos”. A família de Adriele registrou boletim de ocorrência e aguarda o resultado da necropsia para confirmar a causa da morte.

















