A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) enviou um relatório confidencial no fim de agosto ao Palácio do Planalto, ao Ministério da Justiça e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O documento eleva a possibilidade de influência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026 para um nível de criticidade.
Alerta da Abin: Risco crítico de interferência dos EUA
O relatório analisa documentos do governo de Donald Trump produzidos entre novembro de 2025 e maio deste ano. A agência identifica uma tendência de escalada de pressão sobre o Brasil e a reconfiguração da influência exercida por Washington.
A inteligência brasileira afirma que a reafirmação do domínio geopolítico na América Latina tornou-se prioridade central do segundo mandato de Trump. O país se destaca por manter autonomia internacional diante das exigências americanas.
A estratégia de pressão: tarifas e dissidentes políticos
O governo dos Estados Unidos apresentou exigências para reverter a aplicação de tarifas comerciais, conhecidas como tarifaço. Entre as propostas recusadas pelo Brasil estava a garantia de que dissidentes políticos pudessem disputar as eleições.
Uma proposta formal de outubro de 2025 continha 21 exigências que misturavam temas comerciais com demandas de política interna. O governo brasileiro rejeitou os pontos e afirmou que questões de soberania e judiciário não seriam moeda de troca.
O presidente Lula tratou a minuta proposta pela Casa Branca como arquivo morto. A formulação sobre dissidentes foi interpretada como referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Geopolítica e a luta por ativos estratégicos
A estratégia norte-americana visa reduzir a influência de potências rivais, como a China, na América Latina. O objetivo é negar o acesso dessas potências a infraestruturas cruciais e riquezas naturais da região.
Sanções financeiras e o uso do PCC como pretexto
Em 1º de julho, o Departamento do Tesouro dos EUA sancionou dois cidadãos e três empresas brasileiras por supostos vínculos com o PCC. A Abin avalia que essa medida demonstra uma interferência gradual e adaptiva sobre as relações financeiras do país.
A classificação de facções criminosas como organizações terroristas serve como gancho para a imposição de barreiras comerciais. Essas sanções restringem o acesso a transações em dólar e afetam a reputação de empresas nacionais.

















