Cabo Xavier quer app para pais monitorarem filhos e ‘tirar radares’ de BH

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Cabo Xavier foi o oitavo sabatinado na rodada de entrevistas do BHAZ (Moisés Santos/BHAZ)

O candidato do PMB (Partido da Mulher Brasileira) à PBH (Prefeitura de Belo Horizonte), Cabo Xavier, pretende criar um aplicativo para os pais monitorarem os filhos nas escolas; “tirar” os radares de alguns trechos da cidade; incentivar a colocação de reservatórios de água nas residências como forma de evitar os impactos das enchentes; além de reduzir o valor do IPTU em até 50%. Essas e outras informações foram reveladas em entrevista exclusiva ao BHAZ.

O policial militar é o oitavo candidato a participar da sabatina realizada pelo portal com todos os 15 postulantes a assumir a prefeitura a partir de 2021. Acompanhe a cobertura das eleições municipais em todas as nossas redes e clique no nome do candidato para conferir as entrevistas realizadas:

Cabo Xavier também promete enfrentar as empresas de ônibus com o objetivo de diminuir o valor da passagem; construir o monotrilho; abrir mão do salário de prefeito ao fazer doações a instituições filantrópicas; e a realizar PPP (Parceira Público Privada) no intuito de solucionar problemas enfrentados pela população na saúde e educação, por exemplo.

App para monitorar filho

Na área da educação, o concorrente afirmou que, caso eleito, será criado um aplicativo a partir do qual os pais dos alunos da educação básica poderão acompanhar os filhos na sala de aula em tempo real. A prefeitura vai desenvolver o app, conforme o postulante, e a medida visa dar “segurança psicológica” às mães. Cabo Xavier ainda prometeu que haverá transporte para buscar e levar os pequenos.

“Vamos aumentar as Umeis (como eram chamadas as atuais Emeis, Escola Municipal de Educação Infantil), o tempo de estadia e as vagas para que crianças sejam buscadas em casa por transporte, recebam alimentação, atividades, jantinha e levada… O pai vai ter como monitorar o filho no aplicativo, a hora que ele saiu para escola, que fez atividade e chegou em casa. O controle sobre os filhos ajuda na transformação do indivíduo, pois ele vai aprender a ter limites, obrigações e não só exigir direitos”.

Cabo Xavier também se comprometeu a pagar o piso salarial a todos os profissionais da educação do município. “É uma das coisas mais rápidas a ser feita”, pontuou.

Aulas presenciais

O postulante disse que, caso vença o pleito, as aulas presenciais serão retomadas no primeiro semestre de 2021 na rede municipal de ensino. Cabo Xavier defendeu o modelo da escola cívico-militar ressaltando a experiência de aprendizado que teve enquanto aluno do Colégio Tiradentes. A queda no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) também foi destacada.

“Os últimos indicadores apontam Belo Horizonte com índice bem abaixo da meta estabelecida. Em comparação a governos anteriores, houve uma queda, de 2007 a 2017 o gráfico crescia e na atual gestão caiu. Em contrassenso, aquilo que defendemos, as escolas cívico militar estão bem acima da meta, colocando uma média de dois pontos percentuais em vantagem à meta geral das escolas públicas do município”, ressaltou.

A volta às salas de aula, mesmo sem vacina, é defendida pelo Cabo Xavier desde que sejam cumpridos “protocolos de biossegurança”. A redução das turmas “em dias alternados” é uma das possibilidades para que aconteça a retomada, segundo ele. “É preciso dialogar para criar soluções plausíveis”.

Parceria com escolas privadas

O fechamento de escolas particulares, em decorrência da pandemia do novo coronavírus, tende a provocar aumento na procura por vagas na rede pública. O candidato do PMB afirma que tem a solução e que isso passa por PPP. “O aluno, em média, da rede municipal custa R$ 1 mil, para a rede pública privada custa R$ 600. Em vez de construir escolas, posso resolver problemas das escolas privadas, que têm padrão de qualidade, levando volume de alunos da rede pública municipal para a privada subsidiada pela prefeitura”, sugeriu.

A prática para Cabo Xavier vai “gerar renda, emprego e resolver problema da educação privada”, além de possibilitar a “criação de mais 50% de vagas dentro da rede pública municipal” sem construção de novas escolas.

Homem no partido da Mulher

O PMB, partido do qual Cabo Xavier é cabeça de chapa ao cargo de prefeito, foi questionado por escolher um homem, já que a sigla traz em seu nome mulher. Na história da legenda é destacado que Suêd Haidar o criou para garantir “maior representação das mulheres no Congresso Nacional, e em todos os setores da sociedade”.

Para o policial militar, o partido não errou por escolher um homem para ser candidato a prefeito e isso fez com que ganhasse mais visibilidade no cenário nacional. “Talvez, se tivesse uma candidata mulher, não teria dado tanta relevância como está tendo”.

“Temos que quebrar o paradigma de colocar homem e mulher em posição contrária e entender que somos iguais. Temos que respeitar e valorizar, pois ambos tem seu papel na sociedade. Sinto-me honrado, privilegiado de representar você, mulher, que sai todo dia de casa enfrenta problema de segurança, de violência, falta de valorização”, disse.

O postulante ainda afirmou que faltou “vontade de cada uma” para o PMB lançar uma mulher cabeça de chapa. “O que falta é a vontade de cada uma. Se tivesse aparecido uma [mulher], talvez eu não seria o candidato. Perguntaram isso pra minha vice [Paula Maia] e ela disse: “Porque eu não quis”. Estamos numa democracia”.

Demora na saúde

Outro ponto que Cabo Xavier pretende atacar é com relação ao tempo de espera para a realização de consultas e exames especializados. Durante a sabatina, o concorrente contou que uma pessoa na família dele com suspeita de câncer “aguarda há cinco semanas para fazer uma biópsia”. Segundo o candidato do PMB, resolver o problema da fila de espera “é simples”.

“Temos vários prédios públicos ociosos que [podem ser aproveitados] numa parceria com rede privada para fazer concessão do espaço para implementação de clínica. A prefeitura poderia entrar com aporte e parte das consultas, 60%, destinada para a rede pública. Você gera renda, emprego e soluciona o problema desafogando a rede pública dando celeridade nos exames”, disse.

O candidato do PMB também pretende implementar “consultas básicas” de saúde por um aplicativo. A proposta faz parte do projeto de reestruturação do sistema de saúde e impactará na mobilidade, já que as pessoas não vão precisar sair de casa.

Gratificação

No plano de governo, Cabo Xavier afirma que fará estudo de viabilidade para que aconteça uma “gratificação de incentivo ao desempenho aos servidores da saúde”. Indagado sobre a proposta, afirmou que seria uma espécie de “14º salário”. “É uma forma de melhorar a prestação do serviço, dar celeridade nos atendimentos e combater os maus profissionais”.

O militar ainda lembrou as gestões de Aécio Neves e Antonio Anastasia no Governo de Minas nas quais havia a gratificação para servidores da saúde e segurança pública. No cenário municipal, o candidato afirmou que a prática não vai inchar a folha salarial do Executivo municipal.

Outro ponto relativo à saúde da capital é a maternidade Leonina Leonor Ribeiro. Segundo Cabo Xavier, o espaço será inaugurado após mais de uma década. “Qualquer instrumento que facilita a vida do cidadão temos que dar prioridade”. Ele ainda citou que nasceu dentro de um carro pelo fato da mãe dele não ter recebido atendimento em um hospital da rede pública, mesmo estando em trabalho de parto.

‘Indústria das multas’

A melhora no trânsito da capital passa, na visão de Cabo Xavier, pela realização de obras e até mesmo pela retirada de radares, chamados pelo próprio por “indústria das multas”. “Precisamos melhorar os corredores principais de Belo Horizonte com mais passarelas, viadutos, tirar esses radares que são uma indústria de multas”, disse.

“Dar celeridade a esses corredores com segurança, podemos mudar os radares para velocidade de maior segurança, mas que não seja do jeito que está aí, pois é só para tirar dinheiro do contribuinte mesmo. Isso vai gerar tempo de duração de viagem mais curta trazendo mais qualidade”, complementou. O postulante ainda pretende implementar “terminais integrados com criação de ciclovias”.

Outro plano para melhorar a mobilidade em BH é criar monotrilho, em detrimento ao sonhado metrô. “Ele é mais barato, ecologicamente viável e rápido; os transportes coletivos de bairro além dos módulos que serão todos integrados. Com um bilhete de passagem posso percorrer todo meu destino sem ter que pagar duas, três passagens. Isso é cara, absurdo e não pode ser aceitável pelo cidadão”, pontuou.

‘Prefeito borrou’

Outro problema enfrentado pela população de BH é com relação à lotação dos ônibus do transporte coletivo. Visando resolver este gargalo, Cabo Xavier propõe a revisão dos contratos com os consórcios de empresas. “Disse que o atual prefeito borrou porque ele se comprometeu, e foi a única promessa, em abrir a Caixa-Preta da BHTrans. Se não tivermos coragem de enfrentar o sistema não vamos resolver o problema do transporte”.

‘Prefeito borrou’

Outro problema enfrentado pela população de BH é com relação à lotação dos ônibus do transporte coletivo. Visando resolver esse gargalo, Cabo Xavier propõe a revisão dos contratos com os consórcios de empresas. “Disse que o atual prefeito “borrou” porque ele se comprometeu, e foi a única promessa, em abrir a “caixa-preta” da BHTrans. Se não tivermos coragem de enfrentar o sistema, não vamos resolver o problema do transporte”.

O candidato se comprometeu a pegar “os vários exemplos de cidades inteligentes que integram transporte de maneira que o indivíduo tenha uma qualidade”. Ao ser perguntado sobre um possível reajuste na tarifa, Cabo Xavier respondeu: “Eu acho que a passagem é cara e tem que reduzir. Se você melhorar o uso de coletivos com energia limpa, tem condições de reduzir a passagem em até 70%”, afirmou.

‘BH Esponja’

O período chuvoso preocupa o belo-horizontino diante das tragédias que já aconteceram na cidade. Com o objetivo de reduzir os impactos das precipitações, Cabo Xavier afirma copiar “medidas assertivas” de cidades que passaram pelo mesmo problema da capital mineira. O candidato a prefeito propõe criar o programa BH Esponja, que visa resolver “o excesso de água” e o “período de seca”.

“Um dos nossos incentivos é propor a todo morador a criação de um reservatório de água em sua residência. Isso vai seguir um padrão de engenharia e vai ter um projeto modelo. Todo morador que adequar a criação dessas caixas vai receber um desconto no IPTU para que ele possa aderir ao programa. Se pensarmos em milhares de habitantes que vão aderir, vamos impactar na redução das enchentes e aumentar a reserva de água no período da seca”, explicou.

A gestão de Cabo Xavier também pretende trocar o asfalto da cidade por um que proporcione melhor absorção da água, além de estimular a implantação de telhados verdes também “vários edifícios”. O fato de BH ter crescido de forma “desorganizada” e tendo rios tampados preocupa o postulante do PMB. Por conta disso, ele pretende criar “parques alagáveis”.

“Estamos morando em locais de curso de rios e precisamos da readequação habitacional, sem tirar a dignidade [dos moradores]. Vamos criar os parques alagáveis que, durante a seca, você pode usar e, nas cheias, se torna grandes lagos que tem seu glamour. Também faremos quadras rebaixadas para a prática de esporte na seca e na cheia serve como piscina. Soluções que foram aplicadas no mundo e resolveram os problemas”.

Apoio aos comerciantes

Os impactos da pandemia são diversos e um deles é com relação à economia. Para ajudar o comerciante a enfrentar o momento, Cabo Xavier propõe discutir a dívida dos tributos com a prefeitura. “Temos bares, restaurantes, salões de beleza, micro e pequenos empreendedores que estão sufocados e fechando negócios porque ninguém olhou para eles”.

“Queremos dar isenção, mas vamos exigir contrapartidas, como empregar mais uma pessoa para que gere emprego e renda. Vamos criar o Banco Municipal de Desenvolvimento Econômico buscando recursos dos governos federal e estadual e mecanismos internacionais de ajuda humanitária para criar linha de crédito para que essas pessoas tenham aporte financeiro para a retomada do negócio”, prometeu.

O candidato ainda ponderou que o governo dele terá “acessibilidade e diálogo”, pois, segundo o próprio, atualmente o setor de fiscalização do município vai até às pessoas “só para ferrar e multar”. “Teremos equipe técnica para dar suporte e orientação. É óbvio que tem que ter a fiscalização, mas vamos criar vínculo de maneira humana para criar a gestão de negócio”.

IPTU e Guarda Municipal

Mesmo propondo redução do IPTU pela metade, Cabo Xavier não acredita que os cofres públicos vão sentir o impacto da arrecadação devido às PPPs que serão realizadas na gestão dele. “É muito caro [o imposto]. Disse que vai ter redução em até 50%, mas teremos contrapartidas do cidadão, como a criação das caixas d’água para armazenar a chuva”, disse.

A Guarda Civil Municipal de Belo Horizonte “com certeza” continuará armada numa possível gestão de Cabo Xavier, conforme o candidato adiantou. “A guarda é a polícia cidadã, a polícia do município que está perto do cidadão”.

‘Vou doar meu salário’

O candidato do PMB defende a diminuição do número de cadeiras na Câmara Municipal de BH e do salário dos vereadores. Apesar do desejo, o concorrente se diz consciente que, enquanto prefeito, nada poderá fazer com relação a isso, visto que não é atribuição do chefe do Executivo municipal.

“Quando coloquei esta situação é para provocar o cidadão a pressionar essa mudança. O custo é alto, principalmente no momento trágico da economia brasileira e mundial. É preciso cortar na própria pele, pelo menos a metade já seria suficiente, além de redução de secretarias, cargos e mordomias”, destacou defendendo a diminuição também no Congresso Nacional e na Assembleia Legislativa.

Ao ser questionado sobre o que faria com salário de prefeito que ultrapassa R$ 30 mil, Cabo Xavier disse que não ficará com os vencimentos. “Caso eu seja eleito prefeito, todos os meses vou doar meu salário para entidades filantrópicas. Sou policial, aposento no ano que vem, já tenho meu sustento e vou doar meu salário de prefeito para instituição filantrópica”.

R$ 20 mil do adversário

O único doador da campanha de Cabo Xavier é o empresário e também candidato à prefeitura de Belo Horizonte Fabiano Cazeca (PROS). A doação de R$ 20 mil chamou a atenção já que ambos são adversários no pleito municipal. O postulante do PMB afirmou que procurou o conhecido quando soube da impugnação da candidatura dele.

“O Cazeca eu conheço há um tempo. Soube da impugnação e recorri até ele para ter sim o apoio dele, mas ele entrou com recurso e está sub judice [após a gravação da entrevista, a Justiça Eleitoral liberou a candidatura de Cazeca]. A democracia permite isso e nós somos concorrentes na prefeitura, mas não somos inimigos. Temos pautas que possam ter certa afinidades. Foi inusitado [a doação], ele me propôs ajuda e eu aceitei”, finalizou.

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Candidato do PROS é o único doador da campanha do Cabo Xavier (Reprodução/Divulgacand)

Na última sexta-feira (23), o TRE-MG (Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais) definiu que a candidatura de Cazeca poderá seguir na disputa pela PBH. A decisão foi deferida pelo desembargador Octavio Augusto Denigris Boccalini, que considerou que na campanha de 2014 não houve irregularidades na prestação de contas do candidato.

‘Ex-bolsonarista’ e eleições

Cabo Xavier é apontado como um “ex-bolsonarista”. A definição, segundo o candidato, aconteceu devido à uma crítica feita por ele ao presidente da República. “Eu tenho relação com Bolsonaro e sou crítico de tudo aquilo que não está certo. Criticar só fazemos quando gostamos e queremos o bem”, disse.

A principal crítica de Cabo Xavier ao presidente é com relação às escolhas políticas realizadas. “Tenho algumas críticas pontuais como a união dele com o Centrão. É uma unificação com aquilo que combatemos e ele tanto criticou”.

Apesar de já ter sido candidato a deputado e a vereador em Governador Valadares, esta será a primeira eleição do militar em BH. Nas pesquisas, Xavier aparece com 1% das intenções de voto e, mesmo assim, diz acreditar estar melhor colocado.

“Tenho desconfiança com essas estatísticas. Nos últimos anos, os resultados das urnas não corroboraram. O governador Zema, durante todas as projeções estava com 3%, e quase ganhou em primeiro turno, Bolsonaro não se configurava presidente e Dilma [Rousseff] terminou a corrida para o Senado em quarto. Acredito que a gente esteja melhor. Em alguns cenários apareço tecnicamente empatado com [Bruno] Engler, que está em terceiro e Áurea Carolina também”, concluiu.

Edição: Thiago Ricci
Vitor Fórneas
Vitor Fórneasvitor.forneas@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde maio de 2017. Jornalista graduado pelo UniBH (Centro Universitário de Belo Horizonte) e com atuação focada nas editorias de Cidades e Política.

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