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Carnaval de BH: 5 blocos fora da região da Centro-Sul

carnaval bh fora do centro
(Beatriz Kalil Othero/BHAZ)

Com o desfile dos blocos concentrado na região Centro-Sul, o Carnaval de BH muitas vezes repete a exclusão proposital ou não de poucos dispositivos culturais fora do eixo construtivo da cidade. Contudo, alguns blocos fogem à curva e estão em outras regionais da capital mineira, espalhando a folia por BH.

Que tal correr atrás do trio com muito axé no entorno do Mineirão? Ou então cantar as músicas do rei Roberto Carlos na região Nordeste. Ou curtir um Carnaval irreverente “esperando o metrô” no Barreiro! Boas alternativas não faltam.

Para ajudar a descentralizar sua folia, o BHAZ separou cinco cortejos bem legais para curtir por BH. Ficou curioso para saber? Segue a lista!

Tchanzinho Zona Norte

O Tchanzinho Zona Norte surgiu justamente pela carência de blocos fora da região Central de Belo Horizonte. Dois irmãos estavam curtindo a folia e sentiram falta de um cortejo na Pampulha. Por que se deslocar até o Centro em vez de curtir perto de casa e voltar com mais tranquilidade após tomar umas e outras.

A ideia foi tão boa que o bloco cresceu demais e agora desfila na Via das Artes Andradas.

A fundadora do bloco, Laila Heringer Costa, conta ao BHAZ que os ensaios começaram em 2012, e o primeiro desfile foi em 2013. “A gente queria muito fazer um bloco de bairro. Quando tivemos a ideia, muitas pessoas que eram do bairro abraçaram o bloco”, recorda.

Foliões durante cortejo em 2023 (Beatriz Kalil Othero/BHAZ)

O bloco cresceu demais, a bateria começou a ficar muito espremida pelas ruas e o cortejo necessitou de um novo lugar. O desfile é sempre nos sábados de Carnaval, na parte da manhã.

O repertório do cortejo é composto pelas músicas da “baixa gastronomia” do axé. As principais canções são do grupo É o Tchan, que inspirou o nome do bloco. No Carnaval de 2023, a lista de músicas foi um pouco diferente, com um pouco de piseiro, arrocha e homenagem à cantora Anitta.

Anota aí:

Data: 1º de março | sábado
Endereço: Via das Artes Andradas | Avenida dos Andradas, 3560
Horário: 8h

Bloco politizado leva irreverência às ruas de BH (Beatriz Kalil Othero/BHAZ)

Filhas de Clara

Após o sucesso do bloco Volta, Belchior, o jornalista Kerison Lopes teve a ideia de homenagear outro grande artista na folia de Belo Horizonte. Desta vez, a escolhida seria a mineira Clara Nunes – e novamente a proposta era fazer um bloco fora do centro de BH, palco dos principais blocos do Carnaval.

Nascida em Caetanópolis, na região Central de Minas Gerais, a cantora morou por alguns anos no bairro Renascença, em Belo Horizonte. Lá, ainda adolescente, foi tecelã em uma fábrica e deu os primeiros passos rumo ao sonho de ser cantora.

(Reprodução/@filhasdeclara)

No mesmo cenário, a cantora Aline Calixto e uma banda formada por outras nove mulheres entoam as canções da sambista. O convite para Aline acabou casando perfeitamente, uma vez que a carioca já havia cantado nos eventos de lançamento da biografia de Clara Nunes, escrita pelo jornalista Vagner Fernandes.

Vestidos de branco, os integrantes do bloco Filhas de Clara desfilam pela avenida Clara Nunes, no bairro Renascença, cantando os principais sambas da mineira. O bloco tradicionalmente desfila no domingo seguinte ao Carnaval, numa cerimônia de despedida da folia.

Anota aí:

Data: 9 de março | domingo
Endereço: Avenida Clara Nunes, 88, Renascença
Horário: 13h30

(Reprodução/@filhasdeclara)

Garota Eu Vou Pro Califórnia

O bloco Garota Eu Vou Pro Califórnia surgiu em 2016 após moradores do bairro da região Noroeste sentirem falta do Carnaval por lá. Tradicionalmente, o bloco sai no pré-Carnaval, um sábado antes da folia (confira os detalhes abaixo).

Ao BHAZ, Nathália da Silva Baêta conta que o bloco teve início após uma ideia de seu pai, Edvando Baêta, em 2016. “Ele fez uma publicação no Facebook falando que gostava muito do Carnaval, mas que sentia falta da folia na região. Muita gente comprou a ideia”, explica.

Com o interesse dos moradores do bairro, Nathália reuniu a população e iniciou oficinas para todos aprenderem a tocar instrumentos. “A bateria foi toda formada por pessoas que não tinham noção alguma de como tocar. A gente ensinou, ensaiou e o primeiro desfile, em 2017, foi um sucesso”.

Cortejo de 2020 levou multidão às ruas do Califórnia (Reprodução/Lucas Andrade)

Cerca de 2 mil foliões estiveram no bairro Califórnia para o primeiro cortejo. A bateria contava com 30 pessoas totalmente formadas pelo bloco. No desfile de 2020, o bloco cresceu. Foram 68 pessoas na bateria, 45 na ala de dança e 7 mil foliões.

O cortejo precisou ainda contar com um trio elétrico gigante, o Capitão Elétrico, também usado por megablocos em BH, como o Havayanas Usadas.

No repertório, a maior referência é o axé retrô, com músicas do É o Tchan, Banda Cheiro, Banda Eva, Os Bambas, dentre outras das antigas. Mas o bloco toca todos os estilos, passeando por sucessos da música atual também, seja no pop, rock ou MPB, por exemplo.

O bloco tem uma ligação muito forte com a comunidade, diz Nathália. “Além do Carnaval, fazemos ações sociais para a região. Tivemos oficinas de instrumentos recicláveis para as crianças, juntamos latinhas dos ensaios para os catadores da região, além de outras ações importantes”.

Mais informações sobre o bloco é possível encontrar no Instagram do Garota Eu Vou Pra Califórnia.

Desfile de 2019 foi debaixo de chuva, mas com muita animação (Divulgação/Garota Eu Vou Pro Califórnia)

Anota aí:

Data: 22 de fevereiro | sábado
Endereço: Rua das Clarinetas, 23 – Conjunto Califórnia I
Horário: 13h

Esperando o Metrô

Desfilando pelas ruas do Barreiro desde 2018, o bloco Esperando o Metrô surgiu da iniciativa de um grupo de amigos em agosto de 2017. A ideia era mesclar a diversão e a provocação “para que a gente pudesse ajudar na cultura da nossa região do Barreiro, conta Stefanio Teles, um dos organizadores do coletivo para entender como tudo aconteceu.

Ele relata que o grupo decidiu criar um bloco de Carnaval justamente porque não havia nada parecido na região, ou seja contribuindo para fazer a folia de BH também fora do Centro.

Para escolher o nome do coletivo, os amigos decidiram abrir um concurso que selecionaria a melhor sugestão por meio de voto do público. “Várias pessoas trouxeram nomes e o vencedor foi escolhido em frente a um bar ali no Barreiro”, diz.

Stefanio, que é assessor político, revela que quando a organização se deparou com o “Esperando o Metrô” ficou claro que era o nome certo. “Quando chegou o nome, pensamos ‘é esse’. Colocamos em votação e foi o que a maioria escolheu. Ficamos muito felizes”.

A escolha casou com o espírito provocador dos organizadores, que levaram a pauta para o público. “O Barreiro é a maior região de Belo Horizonte, é maior do que muitas cidades e o metrô não chegava aqui. É um absurdo, porque já tem uma linha pronta praticamente. Queremos um transporte que dialogue com todas as comunidades”, defende o assessor.

(Divulgação/Esperando o Metrô)

Desde então, o bloco cresceu e, em 2020, levou mais de 20 mil pessoas para as ruas do Barreiro. Tocando desde sucessos do samba até clássicos do axé, o repertório do Esperando o Metrô tem uma regra inviolável: “não tocamos nada que seja preconceituoso”, diz Stefanio.

A preocupação com o teor das músicas faz parte da identidade do bloco, que costuma defender pautas sociais. “A gente participa de comissões que dialogam com o transporte público de qualidade na região”.

Hoje, as atividades do coletivo continuam ativas. Se preparando para o Carnaval 2024, a bateria realiza ensaios abertos, divulgados por meio do Instagram do bloco.

Em 2024, a participação do Esperando o Metrô no Carnaval de BH é garantida!

Anota aí:

Data: a definir
Endereço: a definir
Horário: a definir

Afoxé Bandararê

O Afoxé Bandarerê é uma importante manifestação cultural de Belo Horizonte, fundada em 08 de dezembro de 2013, com o propósito de resgatar e valorizar as tradições de matrizes africanas. Inspirado nos afoxés tradicionais da Bahia, o grupo leva às ruas do carnaval e a diversos eventos ao longo do ano a força da cultura afro-brasileira, utilizando seus cantos, danças e ritmos como formas de resistência e expressão identitária.

Mais do que um bloco carnavalesco, o Afoxé Bandarerê é um espaço de reencontro, ancestralidade e luta pelo fortalecimento da identidade negra. Seus integrantes utilizam a música e a arte para exaltar os Orixás e celebrar a herança africana presente na cultura brasileira.

(Reprodução/@afoxebandarere)

Com tambores marcantes e um cortejo carregado de simbolismo, o grupo não apenas anima as ruas da cidade, mas também promove debates e reflexões sobre o racismo, a intolerância religiosa e a importância do reconhecimento das raízes africanas na sociedade.

A presença do Afoxé Bandarerê em Belo Horizonte demonstra a força e a diversidade do movimento negro na capital mineira, ocupando espaços historicamente negados à cultura afro-brasileira.

Ao longo dos anos, o grupo tem ampliado seu alcance, promovendo oficinas, apresentações e eventos educativos que reforçam a necessidade de preservar e difundir as tradições herdadas dos povos africanos.

Anota aí:

Data: 02 de março | domingo
Endereço: Praça México, 209, Concórdia
Horário: 15h

(Reprodução/@afoxebandarere)

Editado por: Pedro Rocha Franco

Lavínia Fernandes

Jornalista formada pela PUC Minas. Publicou um artigo sobre alfabetização midiática pela Intercom. Foi estagiária de assessoria de comunicação na ALMG. Repórter no BHAZ desde novembro de 2024.
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Vitor Fernandes

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Sub-editor, no BHAZ desde fevereiro de 2017. Jornalista graduado pela PUC Minas, com experiência em redações de veículos de comunicação. Trabalhou na gestão de redes do interior da Rede Minas e na parte esportiva do Portal UOL. Com reportagens vencedoras nos prêmios CDL (2018, 2019, 2020 e 2022), Sindibel (2019), Sebrae (2021) e Claudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados (2021).
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Andreza Miranda

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Graduada em Jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e repórter do BHAZ desde 2020. Participou de duas reportagens premiadas pela CDL/BH (2021 e 2022); de reportagem do projeto MonitorA, vencedor do Prêmio Cláudio Weber Abramo (2021); e de duas reportagens premiadas pelo Sebrae Minas (2021 e 2023).

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