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Colunas

Na Copa do Mundo, comemore sem fogos com estampido

17/06/2026 às 12h36
Fogos sem estampido verde e amarelo para celebrar Copa do Mundo
Imagem gerada com o auxílio da IA

Em tempos de Copa do Mundo, o clima de festa toma conta das ruas. Encontros e comemorações entre amigos, familiares e vizinhos fazem parte da tradição de torcer pela Seleção Brasileira. Mas essa celebração não deve vir acompanhada de explosões que causam medo, sofrimento e riscos para outras pessoas e para os animais.

Belo Horizonte deu um importante passo ao proibir os fogos de artifício com estampido, em 2022, uma medida que tive a honra de defender na Câmara Municipal por entender que comemorar e respeitar o próximo devem caminhar juntos. Em épocas de grandes celebrações, como os jogos da Copa, é fundamental reforçar essa conscientização e garantir o cumprimento da legislação.

Os estampidos podem ser muito agressivos. Pessoas com Transtorno do Espectro Autista, bebês, idosos, indivíduos acamados e pessoas com hipersensibilidade auditiva podem enfrentar crises de ansiedade, sobrecarga sensorial e intenso desconforto diante de sons tão altos e inesperados. Da mesma forma, cães, gatos e outros animais sofrem com o pânico provocado pelo barulho, podendo fugir, se ferir ou sofrer graves consequências para a saúde.

A verdadeira demonstração de civilidade está em compreender que o clima de festa pode ser preservado sem causar sofrimento a quem está ao nosso redor. Existem fogos de efeito visual, silenciosos, que mantêm o espetáculo das luzes sem produzir explosões capazes de prejudicar pessoas e animais.

Mais do que uma discussão sobre entretenimento, trata-se de uma escolha entre indiferença e empatia. Uma sociedade madura é aquela que adapta suas tradições quando percebe que elas geram danos evitáveis. Comemorar uma vitória esportiva não deve ignorar as necessidades de quem vive uma realidade diferente.

Nesse sentido, reforçar a proibição dos fogos com estampido em Belo Horizonte durante a Copa representa uma vitória da empatia. É reconhecer que a alegria coletiva não precisa ser construída às custas do medo de crianças, do sofrimento de pessoas autistas, da tranquilidade dos idosos ou do desespero dos animais.

Torcer pelo Brasil é motivo de união. Fazer isso com responsabilidade e respeito ao próximo é uma forma ainda maior de celebrar. Afinal, a melhor vitória é aquela que todos podem comemorar.

Pablo Nogueira

Pablo Nogueira é jornalista, formado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (Uni-BH), com mestrado em Comunicação pela UFMG. Tem passagens pela Rádio Itatiaia, Rádio BandNews, Rede Minas, TV Alterosa, governo do estado, Agência Minas e Centro de Comunicação da Universidade Federal de Minas. Venceu os prêmios de jornalismo CDL, em 2024, MOL, em 2023, e Amagis, em 2022, além de ter sido finalista dos prêmios ABMES, em 2023, CDL, em 2022 e 2023, e C6 Bank, em 2022. É editor do BHAZ.
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