Em tempos de Copa do Mundo, o clima de festa toma conta das ruas. Encontros e comemorações entre amigos, familiares e vizinhos fazem parte da tradição de torcer pela Seleção Brasileira. Mas essa celebração não deve vir acompanhada de explosões que causam medo, sofrimento e riscos para outras pessoas e para os animais.
Belo Horizonte deu um importante passo ao proibir os fogos de artifício com estampido, em 2022, uma medida que tive a honra de defender na Câmara Municipal por entender que comemorar e respeitar o próximo devem caminhar juntos. Em épocas de grandes celebrações, como os jogos da Copa, é fundamental reforçar essa conscientização e garantir o cumprimento da legislação.
Os estampidos podem ser muito agressivos. Pessoas com Transtorno do Espectro Autista, bebês, idosos, indivíduos acamados e pessoas com hipersensibilidade auditiva podem enfrentar crises de ansiedade, sobrecarga sensorial e intenso desconforto diante de sons tão altos e inesperados. Da mesma forma, cães, gatos e outros animais sofrem com o pânico provocado pelo barulho, podendo fugir, se ferir ou sofrer graves consequências para a saúde.
A verdadeira demonstração de civilidade está em compreender que o clima de festa pode ser preservado sem causar sofrimento a quem está ao nosso redor. Existem fogos de efeito visual, silenciosos, que mantêm o espetáculo das luzes sem produzir explosões capazes de prejudicar pessoas e animais.
Mais do que uma discussão sobre entretenimento, trata-se de uma escolha entre indiferença e empatia. Uma sociedade madura é aquela que adapta suas tradições quando percebe que elas geram danos evitáveis. Comemorar uma vitória esportiva não deve ignorar as necessidades de quem vive uma realidade diferente.
Nesse sentido, reforçar a proibição dos fogos com estampido em Belo Horizonte durante a Copa representa uma vitória da empatia. É reconhecer que a alegria coletiva não precisa ser construída às custas do medo de crianças, do sofrimento de pessoas autistas, da tranquilidade dos idosos ou do desespero dos animais.
Torcer pelo Brasil é motivo de união. Fazer isso com responsabilidade e respeito ao próximo é uma forma ainda maior de celebrar. Afinal, a melhor vitória é aquela que todos podem comemorar.










