O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) anunciou, na noite desta sexta-feira (7), que será candidato ao governo de Minas. O comunicado ocorreu na Praça do Santuário, em Divinópolis, na região Centro-Oeste, ao lado do deputado Euclydes Pettersen, presidente estadual do partido. Esta é, pelo menos, a quarta vez que o parlamentar comunica o desejo que entrar na corrida eleitoral para chefiar o Poder Executivo estadual.
Mais cedo, o irmão de Cleitinho, Gleidson Azevedo (Republicanos), ex-prefeito de Divinópolis, havia convocado uma caminhada de mais de 15 km para apoiar a candidatura do senador. No entanto, o deputado Euclydes Pettersen publicou um vídeo informando que eles foram até São Paulo para conversar com Marcos Pereira, presidente nacional do partido. Na ocasião, os parlamentares pediram mais uma vez pelo lançamento da candidatura de Cleitinho.
Novela política
A trajetória da possível candidatura de Cleitinho ao governo de Minas tem sido marcada por reviravoltas, pressões partidárias e decisões conflitantes na direção estadual e nacional do Republicanos.
Em julho deste ano, o senador perdeu o irmão, Mateus Azevedo, vítima de leucemia. Na época, ele disse que estava muito abalado e sem condições de participar de articulações políticas. No fim do mês, Cleitinho não compareceu à convenção estadual do Republicanos, justificando que “não tinha cabeça” para cumprir a agenda no dia em que fazia uma semana da morte do irmão.
Dois dias depois, em 27 de julho, o deputado estadual Eduardo Azevedo (PL), irmão do senador, afirmou que Cleitinho seria candidato ao governo e que o anúncio oficial ocorreria até o prazo limite das convenções, em 5 de agosto. No dia seguinte, uma pesquisa Quaest mostrou o senador liderando com folga todos os cenários de primeiro turno e, à noite, ele publicou um vídeo revelando incertezas e medo pelo luto, mas que “seguiria a missão”.
Em 29 de julho, as executivas nacional e estadual do Republicanos divulgaram uma nota conjunta anunciando que Cleitinho estava fora da disputa eleitoral para o governo de Minas. O partido argumentou que a ausência do parlamentar na convenção representava um “fato político objetivo” de consequências inevitáveis. Naquela noite, Cleitinho realizou uma coletiva de imprensa na qual reafirmou o desejo de ser candidato e declarou que tentaria convencer Marcos Pereira, presidente nacional do partido.
Na última segunda-feira (3), após reunião com Marcos Pereira, o partido publicou um vídeo nas redes sociais confirmando que Cleitinho não disputaria o governo mineiro. Visivelmente emocionado e chorando, o senador declarou que decidiu recuar por questões pessoais e de saúde, afirmando precisar de tempo para se recuperar psicologicamente.
Já na terça-feira (4), durante a convenção nacional do Republicanos em Brasília, Cleitinho voltou atrás novamente. Ele discursou pedindo à liderança do partido pela vaga, explicando que, ao voltar para casa, sua mãe e seus irmãos pediram que ele não desistisse e prometeram carregar a campanha por ele. Contudo, no mesmo dia, Pereira rejeitou o apelo, dizendo que o assunto era “página virada”. Ele argumentou que a instabilidade e as “idas e vindas” de Cleitinho geravam insegurança, e que a sigla não submeteria os eleitores de Minas a essa situação.
Já nessa quarta-feira (5), o Republicanos realizou uma reunião e anunciou a intenção de disputar o governo de Minas de forma isolada, em “chapa pura”, sem descartar os nomes de Cleitinho ou de Falcão. O deputado federal e presidente estadual, Euclydes Pettersen, afirmou que a escolha final cabia a ele e ameaçou acionar a Justiça para viabilizar a candidatura de Cleitinho, contrariando a cúpula nacional. Ao mesmo tempo, o Partido Liberal (PL), que aguardava a definição de Cleitinho para uma eventual aliança, desistiu de esperar e oficializou a candidatura própria do empresário Flávio Roscoe ao governo do estado.












