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Com SAMUVet, BH inicia nova era no resgate de animais atropelados

09/04/2026 às 19h55 - Atualizado em 14/04/2026 às 13h27
SAMUVet
SAMUVet em BH (PBH/Divulgação)

Agora não há mais desculpa para deixar de socorrer animais atropelados em Belo Horizonte. Com o início das operações do SAMUVet, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência Veterinária, a capital passa, pela primeira vez, a contar com um sistema público estruturado para o socorro veterinário emergencial.

Como autor da lei municipal que tornou obrigatória a prestação de socorro a animais atropelados, sempre defendi que não há diferença moral entre o sofrimento humano e o sofrimento animal quando falamos de responsabilidade pública. Quando apresentei a Lei Dudu, que determina que motoristas, motociclistas, ciclistas e passageiros prestem atendimento em caso de atropelamento, o fiz movido por uma convicção: a negligência custa vidas que poderiam ser salvas.

Deixar um animal agonizando no asfalto é permitir que a crueldade se normalize. É reforçar a falsa ideia de que vidas animais são descartáveis e ainda gerar risco de novos acidentes. E o socorro precisa ser ágil: quanto mais rápido o atendimento, menor o sofrimento e maiores as chances de recuperação. Muitos animais morrem não pela gravidade do trauma, mas pela demora no resgate. Mas até agora, BH não oferecia nenhum meio público adequado para esse tipo de atendimento.

A Lei Dudu nasceu de uma tragédia que jamais deveria ter acontecido. Em 2022, no bairro Buritis, o cão Dudu, um Golden Retriever, foi atropelado enquanto passeava na guia com seu tutor. O motorista fugiu sem prestar socorro, e Dudu não resistiu. A cidade se comoveu, e essa comoção deixou claro que não havia mais espaço para a falta de responsabilização. Assim, em 2023, entrou em vigor a Lei 11.486, que determina que quem atropelar um animal deve prestar socorro, diretamente ou acionando o poder público, sob pena de multa.

Essa lei não busca apenas punir: busca educar, orientar, mudar comportamentos e impulsionar o poder público. E estamos diante desses frutos. A chegada do SAMUVet preenche uma lacuna histórica e permite o cumprimento integral da Lei Dudu. Agora, a cidade oferece um meio adequado, gratuito e disponível 24 horas para o socorro emergencial aos animais.

BH passa a contar com resposta rápida e qualificada, ambulância veterinária equipada, profissionais treinados, protocolo específico para emergências e transporte seguro até o Complexo Público Veterinário. O serviço deve ser acionado em situações de risco iminente de morte: quando o animal estiver gravemente ferido ou em locais perigosos, como bueiros ou vias de alta velocidade.

O SAMUVet não é apenas uma ambulância. É a consolidação de uma política pública que salva vidas, reduz sofrimento, dá dignidade ao atendimento emergencial e reafirma, de forma institucional, que a vida animal tem valor e deve ser protegida pelo Estado.

Com o atendimento emergencial, somado à estrutura do Complexo Público Veterinário, Belo Horizonte se coloca entre as capitais brasileiras que mais investem em política pública de proteção animal. Uma posição que merece ser comemorada mas que não nos permite descansar na luta por melhorias. Então, vale lembrar: ao ver um animal atropelado, ligue 2888-0000. O número também funciona como WhatsApp para receber fotos, vídeos e documentos que ajudem a agilizar o atendimento.

Wanderley Porto

Wanderley Porto Vereador em BH desde 2020, é cristão e presidente da Comissão de Meio Ambiente, Defesa dos Animais e Política Urbana, da Câmara. Com mais de 20 anos de experiência no Executivo e no Legislativo, atua com destaque na pauta ambiental e na causa animal. Publicitário, é especialista em Marketing Político pela UFMG.

Wanderley Porto

Email: ver.wanderleyporto@cmbh.mg.gov.br

Vereador de BH

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