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Vander Lee é celebrado em musical de Beth Coutinho e Danuza Menezes, que estreia em BH

29/04/2026 às 18h38 - Atualizado em 29/04/2026 às 18h43
Show está previsto para ocorrer em 13 de maio, em BH. (Reprodução/Divulgação + Reprodução)

No ano em que a cena musical mineira celebra os 60 anos de Vander Lee, um projeto idealizado pela cantora e percussionista Danuza Menezes, em parceria com Beth Coutinho, também presta uma homenagem ao artista, uma década após sua morte. A iniciativa resgata a trajetória do músico, que Danuza conheceu antes da fama, em encontros na casa de Beth, também produtora de Maurício Tizumba. Após quase 30 anos de carreira compartilhando palcos, as duas artistas decidiram mergulhar na obra do “superpoeta” mineiro, cujas letras e voz ao violão marcaram a cena de Belo Horizonte. Com exclusividade ao BHAZ, elas anunciaram que o espetáculo ‘Entre Nós, Vander Lee’, viabilizado pela Lei Aldir Blanc, está previsto para ocorrer, na capital mineira, no dia 13 de agosto, no Teatro Raul Belém Machado, no bairro Alípio de Melo, na região da Pampulha.

Antes de passar pela capital mineira, o público que conferiu a Mostra de Tiradentes, na região do Campo das Vertentes, em janeiro deste ano, assistiu ao musical, que emocionou desde os fãs mais fiéis de uma das vozes mais românticas do Brasil até aqueles que tinham pouco contato com a obra de Vandeco.

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“Danuza e eu somos parceiras de música há 30 anos, além de termos uma amizade intensa, porque somos irmãs de alma. E a gente sempre quis cantar Vander Lee, porque fomos amigas e convivíamos com ele, a ponto de apresentar as músicas novas para a gente. Porém, a vida foi passando e, de repente, lembrei de levantarmos o projeto, porque nos demos conta de que ele estaria fazendo 60 anos e completaria 10 anos de sua partida. Então, decidimos fazê-lo”, contou Beth Coutinho, em entrevista ao BHAZ.

Longe de ser uma simples releitura, o espetáculo ganha novos contornos com arranjos inéditos assinados por Fred Selva e direção de Zé Mauro Vinagre, fundador do bloco Chama o Síndico. No palco, Beth e Danuza dividem a cena com uma banda inteiramente feminina: Luísa Mitre, no piano; Natália Mitre, na bateria; e Verônica Zanella, no baixo. Os detalhes da apresentação em BH serão divulgados em breve pelas redes sociais das artistas.

Lado A e Lado B

O repertório foi cuidadosamente selecionado, reduzindo uma lista inicial de 24 músicas para 17 canções, com prioridade para o lado mais romântico e poético de Vander Lee. Além de sucessos como ‘Esperando Aviões’ e ‘Românticos’, o projeto traz à luz o lado B do compositor. Momentos de intimidade musical, descritos como um “chazinho com biscoito”, apresentam apenas pandeiro e voz, enquanto canções como ‘Onde Deus Possa Me Ouvir’ e ‘Quem Me Dirá’ ganham o peso e a ancestralidade dos tambores.

Segundo Beth, o convite a Zé Mauro surgiu com o intuito de oferecer uma “roupagem mais jovem” à obra do cantor belo-horizontino. Em conversa com o BHAZ, o diretor artístico comentou que, embora tenha tido pouca convivência com Vander Lee, as músicas do compositor – especialmente do disco ‘No Balanço do Balaio’ – fizeram parte de sua prática de estudo de violão durante a adolescência e, por isso, recebeu a proposta com muito entusiasmo. “Ele teve uma importância muito grande na minha formação, além da relevância na forma de fazer música em BH, já que influenciou outros artistas. Fiquei felicíssimo mesmo”, disse.

Zé Mauro explicou ainda que, mais do que uma homenagem ao legado do artista, o espetáculo buscou manter vivas as lembranças de Beth e Danuza com Vandeco. Foi pensando nisso que ele deixou a escolha do repertório a cargo das duas percussionistas. “Elas fizeram uma seleção inicial de 27 músicas e, depois, tomei a liberdade de escolher essas canções junto com Fred Selva, que convidei para fazer os arranjos. Mas, sem dúvidas, foi uma tarefa difícil, porque Vander Lee só tem faixa linda. Com isso, tentamos seguir por um caminho não tão óbvio e resgatar a parte mais romântica da carreira dele”, afirmou.

Embora a memória esteja enraizada no processo criativo de ‘Entre Nós’, o espetáculo, ao mesmo tempo, imprime a identidade dos artistas envolvidos. Ainda segundo o diretor, os arranjos trazem contemporaneidade, com elementos eletrônicos e a ancestralidade do tambor e das percussões, elementos intrinsecamente ligados às carreiras de Beth e Danuza. “Viemos com uma outra cara, e o Zé Mauro, com o Fred Selva, traz esse frescor, né? As músicas estão completamente diferentes de tudo que já foi apresentado em outras homenagens ao Vandeco”, disse Danuza ao BHAZ.

A percussionista relatou que essa mudança também impactou a forma como ela e Beth fazem música, já que o espetáculo trouxe novas experiências no canto. Para Danuza, após a estreia do show, ela categoricamente não será a mesma pessoa nem a mesma artista. “Nós somos tambozeiras e pandeiristas, mas chegamos de outra forma neste espetáculo. E nunca cantei como estou cantando neste show, porque o arranjo me levou para um lugar que não existia. Me emociono muito ao lembrar do início e escutar as músicas, pois sabia que não seria a mesma. Sinto que me transformei também”, afirmou, ao lembrar do choro constante durante os cinco meses de preparação para o espetáculo.

Conexão entre gerações

Beth também compartilhou os momentos de comoção durante os ensaios, quando as duas não conseguiam cantar o repertório ao relembrar as vivências com Vandeco. “Ele era muito sensível e daqueles amigos bem ligados. O Vander Lee ligava para a gente todo dia para saber como estávamos, e ficávamos um tempão conversando. Ele dava atenção para todo mundo, uma pessoa muito especial, né? Mas que foi embora muito cedo, muito novo”, relatou.

Para além dos bastidores, a recepção do público também é marcada por forte emoção, reunindo desde fãs de longa data até novos ouvintes. Em Tiradentes, as artistas presenciaram uma das cenas mais bonitas da turnê: uma jovem, de cerca de 20 anos, cantou todas as músicas do começo ao fim do show, mesmo com um repertório que não se limitava às mais famosas. “Ela chorava, ria, ajoelhava-se para cantar”, recorda Danuza, que, depois da apresentação, se encontrou com a moça e entendeu o porquê. “Ela tirou uma foto com o Vander Lee quando tinha 5 anos e não teve a oportunidade de ir a um show dele. Aí ela nos disse: ‘Achei que nunca mais ia me emocionar vendo um show, mas vocês me emocionaram’”, lembrou.

As percussionistas contam que essa entrega do público é o que dá sentido ao trabalho, já que o principal intuito é manter viva a memória da obra do artista, considerado um dos compositores mais importantes de sua geração e que reinventou a forma de fazer música mineira. Com isso, o projeto é ambicioso e pretende ir além dos palcos, buscando, por meio de leis de incentivo e patrocínio, viabilizar a gravação do CD de ‘Entre Nós’.

“O Vander Lee era do povo. Ele escolhia falar sobre pegar o busão, o carro que estava aos pedaços, sobre os amores… Era um poeta popular e sofistiquadíssimo. Mas, como ele morreu há 10 anos, existe um hiato de pessoas que tinham 12, 13 anos e hoje têm 23, 24, e que não conhecem a obra dele. Por isso, acho o nosso trabalho importante nesse sentido”, finalizou Beth.

Então, anota aí!

‘Entre nós, Vander Lee’, de Beth Coutinho e Danuza Meneses

Data: 13 de agosto
Local: Teatro Raul Belém Machado | R. Leonil Prata, 53 – Alípio de Melo, BH
Mais informações serão divulgadas em breve

Anota aí!

Classificação etária: Livre
Entrada: Gratuita

Ana Magalhães

Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foi estagiária do Jornal Estado de Minas e do programa Agenda da Rede Minas de Televisão. Repórter do BHAZ desde agosto de 2024.
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