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Aeroporto Carlos Prates: Às pressas, donos tentam encontrar destino para mais de 100 aviões

01/04/2023 às 15h26
Aeroporto Carlos Prates
Associação denuncia denuncia falta de assistência e prazo apertado (Infraero/Divulgação)

Nos dias que antecederam o fim das operações do Aeroporto Carlos Prates, pilotos e proprietários de aviões se desdobraram para encontrar destinos para as 120 aeronaves que ficavam nos hangares em BH. Neste sábado (1°), primeiro dia de desativação , ainda restam alguns aviões no local, além daqueles que precisam ser desmontados e nem conseguem mais voar.

A associação Voa Prates, criada por concessionários, usuários e amantes do aeroporto Carlos Prates para apoiar a manutenção das operações, denuncia a falta de assistência e o prazo apertado que os piloto tiveram para esvaziar o lugar.

Pousos e decolagens estão suspensos na área, mas, segundo a PBH (Prefeitura de Belo Horizonte), os proprietários de aeronaves ainda têm um prazo maior para retirá-las do espaço, determinado conforme diálogo com cada responsável.

Parte dos pilotos conseguiu levar os aviões para o Aeroporto da Pampulha, outros para hangares em Divinópolis e Itaúna, por exemplo.

Segundo a Voa Prates, cada um precisa “se virar” para encontrar campos de pouso particulares onde as aeronaves podem ser deixadas temporariamente e, depois, arrumar um novo destino para elas.

Funcionários e escolas

A associação ainda reforça que, além de abrigar os 120 aviões, o Aeroporto Carlos Prates comporta 17 empresas, emprega cerca de 500 pessoas, conta com cinco escolas de formação de pilotos e forma cerca de mil deles por ano.

“Não há plano B para este fechamento, ou seja, não existe um outro aeroporto pronto em Belo Horizonte (sequer área disponível) para atender a estas operações”, argumenta a Voa Prates.

‘Processo organizado de encerramento’

Procurado pelo BHAZ, o Ministério de Portos e Aeroportos informou que a Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC) emitiu, nessa sexta-feira (31), um termo de delegação para que permite à PBH “liderar um processo organizado de encerramento das atividades, conferindo tempo para que todas as aeronaves hangaradas e os serviços prestados sejam transferidos para outras localidades de forma adequada”.

Segundo a pasta, ao longo do tempo, as operações atuais poderão ser alocadas em outros aeroportos, como Pampulha e Confins, além dos aeroportos regionais da zona metropolitana da capital mineira.

Já a Prefeitura de Belo Horizonte informou que as normas de aviação não são de competência da gestão municipal.

“No entanto, o prefeito Fuad Noman se dirigiu à Secretaria da Aviação Civil solicitando mais prazo para retirada das aeronaves em atenção aos concessionários. A princípio o órgão concederá esse prazo em diálogo com cada proprietário”, diz nota.

Fim das operações

A rápida suspensão das operações do Aeroporto Carlos Prates veio após um acidente no dia 11 de março, no bairro Jardim Montanhês, que matou um médico e piloto de avião e deixou a filha dele internada em estado grave.

A desativação havia sido confirmada pelo prefeito Fuad Noman (PSD) após tratativas com o governo federal, que até então era responsável pelo espaço. Segundo ele, a área será entregue à prefeitura para a construção de um programa amplo de moradias populares, para indústrias não poluentes, comércios e parques.

Com a gestão nas mãos da prefeitura a partir deste sábado, a Guarda Municipal de BH já assumiu a segurança da área, com 40 agentes e mais de 10 viaturas.

Sofia Leão

Repórter do BHAZ desde 2019 e graduada em jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Participou de reportagens premiadas pelo Prêmio Cláudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados, pela CDL/BH e pelo Prêmio Sebrae de Jornalismo em 2021.
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