Nos dias que antecederam o fim das operações do Aeroporto Carlos Prates, pilotos e proprietários de aviões se desdobraram para encontrar destinos para as 120 aeronaves que ficavam nos hangares em BH. Neste sábado (1°), primeiro dia de desativação , ainda restam alguns aviões no local, além daqueles que precisam ser desmontados e nem conseguem mais voar.
A associação Voa Prates, criada por concessionários, usuários e amantes do aeroporto Carlos Prates para apoiar a manutenção das operações, denuncia a falta de assistência e o prazo apertado que os piloto tiveram para esvaziar o lugar.
Pousos e decolagens estão suspensos na área, mas, segundo a PBH (Prefeitura de Belo Horizonte), os proprietários de aeronaves ainda têm um prazo maior para retirá-las do espaço, determinado conforme diálogo com cada responsável.
Parte dos pilotos conseguiu levar os aviões para o Aeroporto da Pampulha, outros para hangares em Divinópolis e Itaúna, por exemplo.
Segundo a Voa Prates, cada um precisa “se virar” para encontrar campos de pouso particulares onde as aeronaves podem ser deixadas temporariamente e, depois, arrumar um novo destino para elas.
Funcionários e escolas
A associação ainda reforça que, além de abrigar os 120 aviões, o Aeroporto Carlos Prates comporta 17 empresas, emprega cerca de 500 pessoas, conta com cinco escolas de formação de pilotos e forma cerca de mil deles por ano.
“Não há plano B para este fechamento, ou seja, não existe um outro aeroporto pronto em Belo Horizonte (sequer área disponível) para atender a estas operações”, argumenta a Voa Prates.
‘Processo organizado de encerramento’
Procurado pelo BHAZ, o Ministério de Portos e Aeroportos informou que a Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC) emitiu, nessa sexta-feira (31), um termo de delegação para que permite à PBH “liderar um processo organizado de encerramento das atividades, conferindo tempo para que todas as aeronaves hangaradas e os serviços prestados sejam transferidos para outras localidades de forma adequada”.
Segundo a pasta, ao longo do tempo, as operações atuais poderão ser alocadas em outros aeroportos, como Pampulha e Confins, além dos aeroportos regionais da zona metropolitana da capital mineira.
Já a Prefeitura de Belo Horizonte informou que as normas de aviação não são de competência da gestão municipal.
“No entanto, o prefeito Fuad Noman se dirigiu à Secretaria da Aviação Civil solicitando mais prazo para retirada das aeronaves em atenção aos concessionários. A princípio o órgão concederá esse prazo em diálogo com cada proprietário”, diz nota.
Fim das operações
A rápida suspensão das operações do Aeroporto Carlos Prates veio após um acidente no dia 11 de março, no bairro Jardim Montanhês, que matou um médico e piloto de avião e deixou a filha dele internada em estado grave.
A desativação havia sido confirmada pelo prefeito Fuad Noman (PSD) após tratativas com o governo federal, que até então era responsável pelo espaço. Segundo ele, a área será entregue à prefeitura para a construção de um programa amplo de moradias populares, para indústrias não poluentes, comércios e parques.
Com a gestão nas mãos da prefeitura a partir deste sábado, a Guarda Municipal de BH já assumiu a segurança da área, com 40 agentes e mais de 10 viaturas.










