Janaína Dutra: Quem é a homenageada pelo Google que completaria 61 anos hoje?

Janaína Dutra Google
Janaína Dutra é a homenageada de hoje (Reprodução/Google)

Janaína Dutra é a homenageada do Google Brasil nesta terça-feira (30), no dia em que completaria 61 anos. Usuários que acessam a página inicial do site veem uma imagem de Janaína discursando em um púlpito. Ela aparece no Doodle do Google, uma alteração especial e temporária do logotipo nas páginas iniciais do buscador com o objetivo de comemorar feriados, eventos, conquistas e figuras históricas notáveis.

O nome de Janaína Dutra também aparece entre os assuntos mais comentados no Twitter Brasil hoje (30). Mas quem é Janaína Dutra?

Janaína Dutra

Janaína Dutra nasceu em Canindé, no interior do Ceará, em 30 de novembro de 1960. Aos 17 anos, mudou-se com a irmã para Fortaleza, onde passou a se dedicar à defesa da comunidade LGBTQIA+. Em 1986, formou-se em direito pela Universidade de Fortaleza (Unifor). Em seguida, foi aprovada no Exame da Ordem e se tornou a primeira travesti portadora de carteira profissional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

Segundo o Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), órgão do governo federal, Janaína é reconhecida nacionalmente como “a primeira travesti advogada no Brasil”. Ainda assim, constava na carteira profissional dela o nome masculino, apesar da imagem de mulher. A OAB somente iria admitir o nome social na carteira profissional em 2016, quando Janaína já não estava mais viva.

Google fez uma releitura da foto (Foto: reprodução)

Combate ao preconceito

A luta de Janaína Dutra pelos direitos dos homossexuais, de travestis e transexuais e no movimento de combate à Aids venceu as barreiras geográficas de seu estado natal, alçando importância nacional, conforme o CNDH.

Segundo o Mídia Bixa, site especializado em publicações LGBTQIA+, Janaína passou a auxiliar pessoas com HIV positivo ainda na década de 1980. A ativista foi muito importante na construção do Grupo de Resistência Asa Branca (GRAB), em Fortaleza, uma organização que auxilia jovens vivendo com HIV/Aids, assim como os familiares dos assistidos.

Janaína também foi essencial na fundação de outras organizações e programas de enfretamento às DSTs/Aids e à proteção de travestis e transexuais, juntamente com o governo federal, como a Associação das Travestis do Ceará (Atrac). A ativista Dutra ainda foi presidente da Articulação Nacional de Transgêneros (ANTRA) e membro do Conselho Nacional de Combate à Discriminação.

Morte

Janaína Dutra morreu em 2004, aos 43 anos, vítima de câncer de pulmão. A ativista se destacou no combate à HIV/Aids e na luta pelos direitos LGBTQIA+, no país que mais mata transexuais no mundo.

Homenagens

Segundo o CNDH, doze anos depois da morte de Janaína, a OAB passou a admitir o nome social na carteira profissional. Já sete anos após a morte dela, em 2011, foi fundado o Centro de Referência LGBT Janaína Dutra, em Fortaleza, um serviço municipal de proteção e defesa da população LGBTQIA+ em situação de violência e outras violações ou omissões de direitos com base na orientação sexual e/ou identidade de gênero.

Janaína Dutra também foi homenageada em 2010 em um documentário do diretor Wagner de Almeida, chamado “Janaína Dutra – uma Dama de Ferro” (assista aqui).

Edição: Roberth Costa

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