Subiu para 38 o total de mortos durante as fortes chuvas que atingiram as cidades de Juiz de Fora e Ubá, na Zona da Mata, em Minas Gerais. Equipes do Corpo de Bombeiros seguem atuando nas cidades na procura de desaparecidos e desobstrução de vias afetadas pelas condições climáticas.
De acordo com a atualização mais recente do Corpo de Bombeiros, o número de mortos em Juiz de Fora chegou a 30. Em Ubá, são seis óbitos confirmados.
No total, 30 pessoas estão desaparecidas. São 28 em JF e duas em Ubá.
Ainda conforme a corporação, 62 agentes atuam nas buscas e atendimentos em Juiz de Fora, enquanto outros 49 estão mobilizados em Ubá. Mais 14 bombeiros foram enviados para Matias Barbosa, na mesma região, onde não há registro de mortes até o momento.
Estado de atenção
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informou que os temporais são resultado de um cavado atmosférico e, por isso, as precipitações devem continuar no estado.
“Nós esperamos mais chuvas e, por isso, é razoável imaginar que teremos novos eventos críticos”, disse a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT).
Segundo a Defesa Civil de Juiz de Fora, este é o fevereiro mais chuvoso da história da cidade, com 584 milímetros acumulados. Ao todo, 13 vítimas foram resgatadas e levadas ao pronto-socorro, enquanto 3 mil pessoas estão desabrigadas.
Em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (24), a prefeita Margarida Salomão recomendou que moradores que estejam em áreas classificadas pela Defesa Civil como vulneráveis, com nível quatro de risco, deixem suas casas. “Procura a gente. Venha para os nossos lugares que iremos acolher, porque, certamente, você estará a salvo. E a segunda é: se você está em um local sem risco, evite sair de casa. As ruas podem ter alagamentos e deslizamentos”, disse.
Durante o temporal, o Rio Paraibuna e córregos transbordaram, alagando ruas. Foram registrados desabamentos de imóveis e deslizamentos de terra, com pessoas soterradas.
Mais chuvas
As chuvas devem continuar em Minas Gerais até a próxima sexta-feira (27), sobretudo nas regiões da Zona da Mata e Vale do Rio Doce, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Segundo o meteorologista do Inmet, Lizandro Gemiacki, ao longo da semana Minas Gerais está sob a atuação de uma área de instabilidade associada a um cavado atmosférico.
“É uma região de baixa pressão que atua em diferentes pontos do Sudeste, favorecendo a ocorrência de chuva, tanto aquelas contínuas por algumas horas seguidas quanto pancadas mais intensas no fim da tarde e à noite. Além disso, podem vir acompanhadas de rajadas de vento e trovões”, explicou em entrevista ao BHAZ.
Embora ocorram chuvas em todo o estado, Lizandro ponderou que os maiores acumulados devem ocorrer, principalmente, na Zona da Mata e Vale do Rio Doce. “Estamos com aviso vermelho para essas regiões, pois podem ter acumulados acima de 100 mm em 24h. Então, até sexta, a perspectiva é de grandes volumes de precipitação”, disse o meteorologista.
Chuvas na Zona da Mata
O forte temporal que atingiu cidades da Zona da Mata mineira soterrou casas, arrastou carros, provocou alagamentos e deixou um rastro de destruição. Em Ubá, um prédio chegou a desabar na região central do município. Segundo relatos enviados ao BHAZ, a situação é considerada caótica, com pedidos de botes para resgate de pessoas ilhadas e informações sobre desaparecidos.
Um dos casos registrados ocorreu em Juiz de Fora, onde uma mãe foi resgatada na manhã desta terça-feira (24) após um deslizamento atingir o bairro Paineiras. O salvamento aconteceu em meio às enchentes que atingem a cidade desde a noite de segunda-feira (23). No imóvel, estavam cinco pessoas: três adultos e duas crianças.
Outro caso foi registrado em Ubá, onde um asilo de idosos foi invadido por uma enxurrada durante a chuva histórica que atinge a região. Segundo as autoridades, trata-se do Lar João Freitas, localizado na área central da cidade. Imagens mostram idosos sendo amparados sobre as camas em meio à água que invadiu o local.
A Prefeitura de Juiz de Fora informou que este é o fevereiro mais chuvoso da história do município, com volume acumulado de 584 milímetros, mais que o dobro do esperado para o mês. Diante dos danos provocados pelas chuvas intensas, o Executivo decretou estado de calamidade pública e suspendeu as aulas nas creches e escolas municipais.












