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Servidora pública suspeita de furtar 220 armas em delegacia é indiciada pela Polícia Civil

27/11/2025 às 11h38
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(Reprodução/Redes Sociais | Imagens cedidas ao BHAZ)

servidora administrativa Vanessa de Lima Figueiredo, suspeita de desviar 220 armas de fogo da 1ª Delegacia do Barreiro, em Belo Horizonte, foi indiciada pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). O inquérito foi concluído pela Corregedoria-Geral do órgão público e a servidora responderá pelo crime de peculato, caracterizado pelo desvio de bem público por funcionário, previsto no artigo 312 do Código Penal.

A investigação teve início após a polícia constatar o sumiço de mais de 200 armas, a maioria de baixo calibre e algumas consideradas obsoletas. A perícia inicial descartou uma invasão na unidade, direcionando as suspeitas para uma ação interna. Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão na casa da servidora, foram recolhidos documentos e mídias para análise. Segundo a PCMG, Vanessa permanece sob custódia no Sistema Prisional.

A reportagem do BHAZ entrou em contato com a defesa da servidora e aguarda retorno.

“Ponta do Iceberg”

Em entrevista ao BHAZ, representantes sindicais da Polícia Civil apontam que o crime não é um ato isolado em Minas Gerais. Marcelo Horta, presidente do Sindicato dos Escrivães de Polícia do Estado de Minas Gerais (Sindep/MG), classificou a ação de Vanessa Figueiredo como um “desvio de conduta pessoal”. Contudo, ele destacou que a falta de controle e a estrutura precária propiciaram um ambiente favorável para o crime.

“Ela viu que tinha uma falha no sistema. Ela viu que o sistema não tinha controle. Essa falta de controle deu a ela uma tranquilidade de ingressar nesse tipo de ação criminosa”, explicou.

Marcelo Horta ainda ressaltou que o volume de armas é “assustador” e refletiu que a situação “vem acontecendo há muito tempo”. De acordo com o presidente do Sindep, a prisão da servidora é “apenas a ponta do iceberg”. “Com certeza tem uma estrutura organizada por trás disso aí”, disse.

Sendo assim, o presidente destacou que o principal fator que colabora para o desvio de artefatos e invasões de delegacias é a “falha estrutural”, uma vez que muitas delegacias mineiras não são construídas para este fim, sendo utilizadas residências como sede de operações da PCMG. Marcelo Horta ressaltou a importância da implantação da cadeia de custódia.

A Lei 13. 964, de 2019, que atualizou a legislação penal, estabelece a implantação de cadeias de custódia e define procedimentos para “manter e documentar a história cronológica do vestígio coletado em locais ou em vítimas de crimes, para rastrear sua posse e manuseio a partir de seu reconhecimento até o descarte”. No entanto, segundo denúncia do sindicato, não há nenhuma unidade em Minas Gerais mesmo após seis anos de vigência da lei.

“Esse problema é recorrente, e à medida que esse fato chamar a atenção para uma investigação mais ampla, a imprensa vai descobrir que tem muito extravio de armas e de drogas. A polícia vai lá, assim que descobre, investiga e prende, mas como o sistema é falho, como a estrutura é inadequada e é precária, ela acaba se tornando uma motivadora desse tipo de ação” esclareceu.

O que diz a Polícia Civil

Indagada sobre a implantação de cadeia de custódia para armazenar os itens em Minas Gerais, a PCMG informou que “todos os materiais apreendidos em operações policiais, bem como os materiais de propriedade da corporação, incluindo armas, são acondicionados conforme previsto em resolução própria e de acordo com as legislações vigentes”.

A corporação esclareceu, em nota, que, de 2019 a 2022, mais de 1550 passaram a integrar os quadros de carreira da PCMG. Além disso, “mais de 80 unidades policiais, entre delegacias territoriais e especializadas, foram inauguradas por todo o estado”, disse. “Nos últimos quatro anos, houve investimento superior a R$ 85 milhões na renovação da frota da instituição, o que resultou na aquisição de mais de mil veículos novos”, finalizou o texto.

Tol Ramos

Estudante de jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais. Foi estagiária do caderno de cultura do Jornal Estado de Minas e do programa Agenda da Rede Minas. Repórter do BHAZ desde setembro de 2025.
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