A poucos minutos do centro da capital Belo Horizonte, está localizada uma das três primeiras vila do ouro de Minas Gerais: Sabará, cidade que ao lado de Ouro Preto, Mariana, Serro e outras mais ajuda a contar a história colonial do Brasil. Mas não é só! Uma visita a Sabará pode ser dividida em três eixos: gastronomia, história e natureza. E, claro, os três podem ser incluídos em um mesmo roteiro.
Dá para visitar o centro histórico de Sabará em um dia e desfrutar de delícias feitas a base jabuticaba numa parada. Noutro dia, é possível cruzar as trilhas que remetem ao Ciclo do Ouro e almoçar fartamente no distrito de Pompéu um dos muitos pratos feitos com ora-pro-nóbis. Tudo isso sob a moldura da Serra da Piedade, trecho da Cordilheira do Espinhaço, a única cadeia de montanhas do Brasil que percorre 172 cidades mineiras.
Abaixo um guia para se desbravar o que tem de mais saboroso em Sabará, seja para quem quer desfrutar das delícias da mesa ou para conhecer mais da história do Brasil do século 18 até os dias de hoje.
Jabuticaba, o ouro negro de Sabará

A jabuticaba é o verdadeiro “ouro negro” de Sabará, um patrimônio cultural que nasceu nos quintais das casas coloniais e hoje movimenta a economia e o turismo da cidade. A fruta, presente há gerações, se tornou símbolo da identidade sabaraense e inspiração para dezenas de produtores locais. Tem até festival para a fruta que arrasta milhares de pessoas. Os produtos feitos de jabuticaba de Sabará são vendidos nacionalmente e até para o exterior.
Ora-pro-nóbis no distrito de Pompéu

O ora-pro-nóbis possui um significado fundamental para Pompéu, distrito de Sabará, pois elevou o povoado ao mapa da gastronomia mineira. Tudo começou na década de 1980 quando uma das moradoras criou um prato usando a verdura para um festival de cachaça. Fez sucesso. A partir daí, Pompéu se tornou sinônimo de ora-pro-nóbis, recebendo centenas de visitantes a cada final de semana para comer costelinha com ora-pro-nóbis, costelinha com ora-pro-nóbis e tantas outras receitas. Todas feitas no fogão a lenha. De 1997 para cá, sempre em maio, Pompéu organiza o Festival do Ora-Pro-Nóbis de Sabará, oportunidade para se comer a beça. Depois é só pedir aos deuses que rogai por nós.
Centro histórico de Sabará

O centro histórico de Sabará foi tombado pelo Iphan em 1938, visando proteger seu expressivo acervo arquitetônico colonial. Entre os bens culturais protegidos, que somam 18 tombamentos, destaca-se o conjunto arquitetônico e urbanístico da Rua Dom Pedro II (antiga Rua Direita), tombado em 1965 e considerada a via principal do núcleo primitivo da Barra no início do século XVIII. Um turista deve obrigatoriamente visitar a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição e a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, esta última conhecida por reunir várias obras de Aleijadinho. Outros bens de interesse incluem a Casa da Intendência, atual Museu do Ouro, e o Chafariz do Caquende, todos parte do Ciclo do Ouro de Minas Gerais.
Teatro Municipal de Sabará

O Teatro Municipal de Sabará, antiga Casa de Ópera de Sabará, representa um dos últimos sinais do Ciclo do Ouro e detém o título de segundo teatro mais antigo do Brasil ainda em funcionamento. Sua construção data do século XVIII e ocorreu em plena decadência do Ciclo do Ouro, sendo inaugurado somente em 1819. São quase 1 mil metros quadrados de área construída para comportar 400 pessoas em três andares, entre galerias e camarotes. O estilo em formato de ferradura e com o palco elevado, lhe garante uma boa acústica. Ao longo de sua história, o teatro recebeu espectadores ilustres, entre os quais os Imperadores dom Pedro I e dom Pedro II.
Trilhas históricas

Sabará se originou de um arraial dos bandeirantes criado no século 17. Em busca da “pedra grande brilhante”, significado em tupi do termo Sabará, os bandeirantes desbravam a região da ˜montanha resplandecente˜, ou Sabarabuçu. O Caminho do Sabarabuçu integra a Estrada Real, hoje rota turística que se estende por mais de 1,6 mil quilômetros, mas que, na verdade, remonta ao período em que a Corte Portuguesa oficializou trilhas para garantir segurança no transporte de ouro e diamantes das minas ao porto.
Esse trecho da Estrada Real começa em Sabará e corta diversas cidades da região por 160 quilômetros. Por ele, é possível fazer o trajeto dos bandeirantes e vislumbrar as belezas da Cordilheira do Espinhaço, o que tem atraído pessoas de todo o Brasil para um passeio pela natureza, mas com sentido histórico.








