O Brasil corre o risco de superar a marca histórica de 92 tornados registrados em 2025. Até julho de 2026, já foram contabilados 81 eventos, mesmo antes do auge da temporada que ocorre entre o fim do inverno e a primavera.
O risco de tornados no Brasil e no Rio Grande do Sul
O país ocupa a segunda posição global em incidência de tornados, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. O Rio Grande do Sul está inserido no corredor de tornados da América do Sul, uma das áreas mais propensas do planeta para a formação desses fenômenos.
A combinação de um El Niño forte e o aquecimento da atmosfera intensifica a frequência de tempestades severas. Esse cenário torna a região Sul e o sul do Mato Grosso as áreas mais vulneráveis a danos significativos.
Como se forma um tornado: a ciência por trás do fenômeno
Tudo começa com tempestades do tipo supercélula, que giram em torno do próprio eixo. O fenômeno surge quando o ar quente e úmido da Amazônia encontra o ar frio vindo do sul, criando o chamado jato de baixos níveis.
Esse fluxo de ar gera um cilindro horizontal que, ao ser puxado por correntes ascendentes intensas da nuvem, torna-se vertical. Quando esse funil atinge a superfície, ele se transforma em um tornado capaz de gerar ventos devastadores.
Previsão e Alertas: O que é possível antecipar?
Não existe tecnologia capaz de prever com precisão o horário e o local exato onde um tornado tocará o solo. A meteorologia consegue antecipar com horas de antecedência apenas as condições atmosféricas favoráveis para que tempestades severas ocorram em certa região.
Se as pessoas buscam saber sobre o clima para amanhã, a precisão é alta para chuvas, mas baixa para tornados. O alerta definitivo só ocorre após a confirmação de uma supercélula, deixando um tempo de resposta entre 15 e 30 minutos para quem está no caminho do vento.
Impactos recentes e histórico de desastres no RS
A força do vento pode ultrapassar os 300 km/h, transformando casas em escombros em poucos minutos. Desde 1991, o Rio Grande do Sul registrou 31 desastres associados a tornados, com prejuízos materiais estimados em R$ 68 milhões.
Eventos recentes em Giruá deixaram 30 pessoas desalojadas e quatro feridos. O impacto econômico é brutal, levando produtores de leite a abandonarem a atividade por considerarem inviável reconstruir galpões e instalações destruídas.

















