Catorze anos depois de viver Jorginho na novela Avenida Brasil, um dos maiores fenômenos da teledramaturgia brasileira, Cauã Reymond abriu o jogo sobre os efeitos que o papel deixou em sua vida pessoal. O ator contou que precisou de terapia por um bom período para lidar com o que chamou de “novela pós-novela”, e revelou uma ligação inesperada entre a vilã Carminha, vivida por Adriana Esteves, e sua própria mãe.
“Eu fiz análise durante muito tempo para resolver a novela pós-novela”, contou Cauã, definindo Avenida Brasil como “o maior sucesso da minha carreira até então” e “um dos maiores sucessos” da própria emissora, que bateu recordes de audiência ao ser exibida em 2012.
Na trama escrita por João Emanuel Carneiro, Jorginho era, sem saber por boa parte da história, filho biológico de Carminha, um fio dramático que, segundo o ator, tornava as cenas ao lado de Adriana Esteves particularmente intensas. “A Adriana ia em lugares que eu falava: ‘Mano…’ Dava até tremelique”, relembrou, sobre a entrega da colega de elenco nos momentos mais pesados da novela, em entrevista ao podcast POD_i, comandado pela jornalista Andréia Sadi e exibido pela GloboNews.
Questionado por Sadi sobre por que a experiência o fazia lembrar da própria mãe, Cauã hesitou antes de responder: “O barato era louco (…) Eu amo a minha mãe. Adoro astrologia, minha mãe era a minha maior fã.” O ator contou ainda que o clima da trama incomodava a família inteira: “Meu irmão, por exemplo, mais novo, não gostava de assistir.” Sadi completou: “Não conseguia ver a Carminha”, ao que Cauã respondeu que a novela “mexia com a gente”.
Apesar do peso emocional que credita à novela, o ator afirmou que jamais chegou a conversar sobre o assunto com a mãe na época. Perguntado diretamente se havia falado com ela sobre isso, foi objetivo: “Não. Não, nunca.”
O fenômeno Avenida Brasil
Exibida entre março e outubro de 2012 na Globo, Avenida Brasil se tornou, segundo estimativa da revista Forbes, a telenovela mais comercialmente bem-sucedida da história da emissora, com faturamento estimado em US$ 1 bilhão graças ao sucesso internacional em mais de 150 países. O capítulo final foi visto por 80 milhões de pessoas, recorde de audiência do ano no Brasil. Cauã Reymond interpretava Jorginho, par romântico de Rita (Débora Falabella) e, na trama, filho biológico de Carminha, papel que rendeu a Adriana Esteves um dos maiores sucessos de sua carreira como vilã.
Mais de uma década depois, a fala do ator reacende a discussão sobre o desgaste emocional que grandes sucessos televisivos podem impor a quem os protagoniza. O tema já havia aparecido em outra entrevista recente do ator quando Cauã relatou ter enfrentado “uma pequena depressão” após o fim de Avenida Brasil, mesmo com a carreira em alta, dizendo não se sentir “preenchido” apesar do sucesso.

















