O coronel do Exército brasileiro Álvaro Roberto Cruz Ferreira Lima morreu na tarde dessa sexta-feira (28) após o parapente que ele pilotava ser atingido por uma linha chilena de uma pipa enquanto sobrevoava a praia de São Conrado, na Zona Sul do Rio de Janeiro.
O acidente ocorreu por volta das 13h53, na altura da pista de pouso usada por parapentes e asas-delta, um dos pontos mais tradicionais da prática de voo livre na cidade. Atingido pela linha em pleno voo, o militar perdeu o controle do equipamento e caiu no mar.
O Corpo de Bombeiros Militar do Rio de Janeiro mobilizou equipes do 3º Grupamento Marítimo, do Grupamento de Operações Aéreas e da Coordenadoria de Embarcações de Resgate para socorrer o coronel, que foi retirado da água em parada cardiorrespiratória. Um militar que estava de folga no local também prestou ajuda voluntária durante o resgate e precisou, ele próprio, de atendimento médico.
Após os primeiros socorros na areia, Álvaro foi levado de ambulância ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, onde não resistiu e morreu.
“Ato criminoso”, diz clube de voo livre
O Clube São Conrado de Voo Livre, entidade que administra a rampa e reúne os praticantes do esporte no local, divulgou nota classificando o episódio como um “ato criminoso” provocado por linhas de pipa com cerol na área de voo. Segundo a entidade, o coronel “acabou servindo de escudo para salvar o próximo”, numa referência ao risco de que outros pilotos na mesma rota de voo também fossem atingidos pela linha.
Em outro comunicado, o clube descreveu o uso da linha chilena na região como um ato “covarde e sem chance de defesa” e informou que já recolhe imagens e outras evidências do incidente para colaborar com a investigação das autoridades. A entidade também suspendeu as operações de voo neste sábado (29) para promover um protesto em solo em homenagem ao coronel.
O que é a linha chilena
A linha chilena é usada para cortar as linhas de pipas adversárias em disputas no ar. O uso e a comercialização desse tipo de linha são proibidos no estado do Rio de Janeiro por representar risco a pessoas e a aeronaves, incluindo parapentes, asas-delta, motociclistas e ciclistas que passam sob pipas soltas em áreas urbanas. Mesmo com a proibição, o material continua sendo vendido informalmente e é apontado por clubes de voo livre e por autoridades de trânsito como causa recorrente de acidentes graves, muitas vezes fatais.
A Polícia Civil abriu investigação para apurar as circunstâncias da queda e confirmar a presença da linha cortante na região no momento do acidente.
Quem era o coronel
Álvaro Roberto Cruz Ferreira Lima tinha uma longa trajetória na carreira militar. Entre 2013 e 2016, comandou o Centro de Estudos de Pessoal e o Forte Duque de Caxias. Mais recentemente, em 2020 e 2021, dirigiu o Centro de Programas Integrados da Fundação Nacional das Artes (Funarte). Ele era um praticante assíduo de voo livre em São Conrado, ponto conhecido por reunir tanto turistas quanto pilotos experientes.
A morte do coronel é a segunda tragédia registrada na rampa de São Conrado em menos de um ano: em novembro de 2025, outro acidente fatal já havia sido registrado no mesmo local, reacendendo o debate sobre a segurança do espaço aéreo usado por praticantes de parapente e asa-delta na região.

















