A Diocese de Caxias do Sul nomeou o padre Daniel D’Agnoluzzo Zatti, de 38 anos, para atuar oficialmente no Ministério do Exorcismo, tornando-o o primeiro sacerdote da história da diocese a assumir formalmente essa função. A designação foi assinada por dom José Gislon, bispo diocesano, e o padre já iniciou os atendimentos no início daquele mês.
Vigário paroquial da Igreja São Ciro, em Caxias do Sul, Zatti relata que a procura superou as expectativas desde o anúncio. “Tenho a agenda cheia, a fila de espera é de aproximadamente um mês. Quem procura ajuda hoje vai esperar cerca de um mês para ser atendido”, afirmou o padre em entrevista concedida a veículos da região.
Uma função raramente formalizada
Antes da nomeação de Zatti, a diocese não contava com um exorcista designado de forma permanente. O único exorcismo oficialmente registrado na região havia ocorrido em 1947, conduzido pelo padre Teodoro Portolan, em Farroupilha. Atualmente, cerca de dez padres exercem oficialmente esse ministério em todo o Rio Grande do Sul.
A criação do posto, segundo a diocese, responde a um aumento nos pedidos de atendimento relacionados a supostas manifestações demoníacas.
Triagem multidisciplinar antes de qualquer ritual
Zatti montou uma equipe de apoio com cerca de 12 pessoas, entre elas médicos, neurologistas, psicólogos e psiquiatras, para avaliar cada caso antes de se cogitar qualquer ritual de exorcismo. Segundo o padre, a esmagadora maioria das pessoas que o procuram não vive, de fato, um caso de possessão. As estimativas indicam que entre 90% e 97% dos atendimentos são resolvidos com acolhimento, escuta e orientação, sem qualquer ritual, muitas vezes revelando sofrimento emocional, psicológico ou espiritual comum. Apenas uma fração pequena, de 5% a 10% dos casos, segundo o próprio padre, avança para uma avaliação mais aprofundada que pode culminar no rito oficial, baseado no Ritual de Exorcismo aprovado pelo Vaticano em 1998.
“Às vezes, a pessoa ouve barulhos dentro de casa e já acredita que a explicação é o sobrenatural”, exemplificou Zatti, ao descrever como boa parte das demandas nasce de medo, ansiedade ou desinformação, e não de fenômenos extraordinários.
Para o padre, é essa dimensão pastoral que define a função. “O Ministério do Exorcismo sobretudo se caracteriza como o ministério de caridade e de misericórdia”, disse. Em outra entrevista, reforçou o mesmo espírito: “É a Igreja cuidando de quem a procura.”
Segundo a tradição da Igreja Católica, os fenômenos avaliados pelo ministério não se resumem à possessão propriamente dita, mas também incluem o que a doutrina classifica como opressão, infestação e vexação, manifestações consideradas menos intensas de influência espiritual negativa. Entre os critérios que a Igreja usa para diferenciar um caso “extraordinário” de um quadro médico ou psicológico estão relatos de fluência repentina em idiomas desconhecidos pela pessoa, conhecimento de informações que ela não teria como possuir, ou manifestações físicas incompatíveis com qualquer condição clínica identificada.

















