Eduardo Bolsonaro pagou 10 dólares para garantir que a filha não precise tomar vacinas nos Estados Unidos. O ex-deputado utilizou um formulário do governo do Texas para obter a dispensa burocrática necessária para matricular a criança em uma escola local.
Eduardo Bolsonaro e a isenção de vacinas no Texas
Em vídeo, o parlamentar diz que imprimiu o documento do governo texano em sua própria residência, assinou o papel e o levou a um cartório local para formalizar a declaração juramentada.
Em um vídeo gravado diante de uma agência dos correios americanos, ele celebrou a medida como um exemplo máximo de liberdade. Com o pagamento da taxa, ele agora assume a responsabilidade total por deixar a filha sem imunização, defendendo que esse modelo deveria ser copiado no Brasil.
Críticas à obrigatoriedade vacinal no Brasil
O ex-deputado aproveitou a gravação para disparar ataques diretos ao sistema de saúde brasileiro. Ele afirmou que o presidente Lula obriga crianças a se vacinarem com diversos produtos, mas que o governo não seria responsabilizado caso algo desse errado.
No entanto, a obrigatoriedade vacinal não é uma criação do governo atual. A vacinação compulsória foi institucionalizada com o Programa Nacional de Imunizações (PNI) através da Lei nº 6.259 em 1975 e reforçada pelo artigo 14 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) em 1990.
Essa regra atravessa governos de todos os espectros políticos. O sistema permaneceu intacto e vigente durante os dois mandatos de Jair Bolsonaro, pai do ex-deputado.
Riscos sanitários e o surto de sarampo nos EUA
A decisão de Eduardo Bolsonaro ignora a grave crise sanitária que atinge o território americano. A queda drástica na cobertura vacinal, impulsionada por campanhas negacionistas, provocou o retorno de doenças graves que já haviam sido erradicadas no continente.
O sarampo voltou a circular com força em diversos estados americanos, gerando surtos alarmantes. A situação é tão crítica que as autoridades de saúde brasileiras emitiram alertas oficiais para viajantes.
Atualmente, brasileiros que visitam os Estados Unidos precisam tomar reforços da vacina contra o sarampo. Essa medida visa impedir a reintrodução do vírus no Brasil após a exposição ao ambiente americano.
Impacto político e a agenda negacionista
A postura do parlamentar assume gravidade maior por sua influência no projeto político da família. Ele atua como o principal conselheiro político do senador Flávio Bolsonaro, que está oficializado em chapa com Alfredo Gaspar.
A importação dessa visão negacionista sinaliza o risco de um futuro governo federal alinhado ao obscurantismo sanitário. A consolidação dessa agenda ameaça desestruturar completamente o Programa Nacional de Imunizações e colocar a vida de milhares de crianças brasileiras em perigo.

















