Autora best-seller no Brasil, a escritora e velejadora Tamara Klink fez um pedido inusitado em vídeo publicado no TikTok: “parem de comprar o meu livro”.
“Bom dia, inverno”, quarto livro de Tamara Klink, está na lista dos mais vendidos do Brasil há três meses e no topo do ranking há pelo menos dois. Foi justamente esse sucesso que motivou o apelo da autora aos leitores.
“Eu preciso falar uma coisa que é polêmica, mas vocês vão entender. Não comprem mais esse livro Bom dia Inverno”, disse Tamara no vídeo. Segundo ela, com tantos exemplares já circulando pelo país, chegou a hora de fazê-los rodar entre mais pessoas em vez de multiplicar as vendas.
A escritora pede que quem já leu o livro o empreste a familiares, colegas de trabalho e amigos, ou doe para bibliotecas. “É muito triste na vida de um livro acabar numa biblioteca só e só ser lido uma vez. Tem um monte de papel, um monte de energia que foi gasta da natureza para esse livro existir”, afirmou.
Tamara também rebateu quem tem receio de emprestar o livro por medo de vê-lo voltar riscado ou desgastado. “Não é ainda mais legal se o livro tiver várias marcações? Não é ainda mais legal se o livro puder fazer mais gente ter essa experiência que você teve?”, questionou.
No vídeo, ela ainda convidou os seguidores a indicar, nos comentários ou por e-mail, bibliotecas próximas de suas casas que ainda não têm o título no acervo, para que exemplares sejam doados a esses locais. “O mais legal de um livro é esse objeto circular e cumprir a sua função pelo máximo de tempo possível”, disse, agradecendo aos leitores que já compraram, presentearam e indicaram a obra em clubes do livro.
Oito meses sozinha no gelo da Groenlândia
O pedido para que o livro pare de ser comprado e passe a circular ganha outro peso quando se conhece a história por trás dele. Em “Bom dia, inverno”, lançado em maio pela Companhia das Letras, Tamara Klink narra os oito meses que passou sozinha a bordo do veleiro Sardinha 2, ancorada em um braço de mar na Groenlândia, à espera de que a água ao redor congelasse com a chegada do inverno.
Aos 27 anos, a navegadora paulistana viveu isolada em meio a temperaturas que chegam a -30°C, cercada por gelo até onde a vista alcança, sem contato humano por longos períodos. Foi assim que ela se tornou a primeira mulher a completar sozinha uma invernagem no Ártico.
No livro, ela descreve auroras boreais, a amizade com raposas locais e a rotina de produzir a própria água quebrando pedaços de iceberg. Também relata ter deixado para trás, com a viagem, conselhos desanimadores e situações de violência machista, colocando milhas náuticas de distância entre ela e seus medos.
Antes de “Bom dia, inverno”, Tamara já havia contado outras aventuras solo em alto-mar nos livros “Mil milhas”, “Um mundo em poucas linhas” e “Nós: O Atlântico em solitário”, que reúnem relatos de duas travessias solitárias do Atlântico e da passagem pela Passagem Noroeste, também sozinha.

















