Uma enorme bola de fogo consumiu o foguete Longa Marcha 7A apenas 85 segundos após a decolagem nesta segunda-feira (10). O aparelho, que transportava o satélite de comunicações Zhongxing-4B, desintegrou-se no ar provocando uma nuvem de fumaça durante a queda dos destroços.
Explosão do Foguete Longa Marcha 7A
O lançamento ocorreu às 20h02 no Centro de Lançamento Espacial de Wenchang, localizado na província de Hainan. A imprensa estatal chinesa tentou minimizar o desastre, descrevendo o evento apenas como uma anomalia de voo.
O satélite Zhongxing-4B deveria fornecer serviços de rádio e televisão para usuários em todo o mundo. Agora, a causa exata da falha está sob investigação oficial.
Reações e censura digital
Enquanto o governo falava em anomalias, vídeos de testemunhas mostravam milhares de pessoas observando a explosão no céu. Houve relatos de que conteúdos gerados por usuários foram removidos ou tiveram a visibilidade reduzida em plataformas como Douyin e Xiaohongshu.
A agência Xinhua demorou três horas para confirmar a falha do lançamento. Elon Musk, CEO da SpaceX, reagiu ao incidente no X afirmando que foguetes são incrivelmente difíceis.
Impacto financeiro e no setor espacial
O mercado reagiu com violência. As ações da China Spacesat Co Ltd recuaram 6,8%, fechando em CNY 64,42 na terça-feira. Outras empresas do setor, como Hunan Aerospace e Goldwind Science, também sentiram a pressão vendedora.
O fracasso também travou outros projetos. O lançamento do Zhuque-3, um foguete reutilizável da empresa privada LandSpace, foi adiado após o acidente. A explosão do Longa Marcha 7A agora ameaça o calendário espacial chinês e a missão lunar Chang’e 7.
Contexto técnico e ambições da China
O Longa Marcha 7A é um foguete de três estágios com quase 60 metros de comprimento. Ele possui capacidade para enviar sete toneladas de carga útil para a órbita de transferência geoestacionária.
Esta foi a 18ª missão do modelo, que só havia falhado uma vez antes, em seu voo inaugural de 2020. O erro ocorre em um momento crítico, já que Xi Jinping quer tornar a China líder mundial em ciência espacial até 2050 e levar astronautas à Lua até 2030.

















