A Fundação Cacique Cobra Coral anunciou, na segunda-feira (27), a suspensão da assistência climática prestada ao governo da Argentina. A decisão foi divulgada através das redes sociais da instituição. Para retomar o suporte, a entidade exige um pedido formal de desculpas por parte do governo argentino.
A instituição classificou a interrupção como uma resposta direta a ataques políticos contra o Brasil. O grupo afirma que a Argentina agora está por sua conta e risco na área climática enquanto perdurar o impasse diplomático.
Sediada em Guarulhos (SP) e fundada em 1931, a entidade é uma instituição esotérica sem fins lucrativos. Ela reivindica a capacidade de controlar chuvas por meio de rituais baseados na incorporação do espírito de um cacique indígena. Embora não haja comprovação científica, governantes brasileiros já contrataram a entidade para evitar mau tempo em eventos políticos.
O motivo: ataques de Javier Milei ao Brasil
A medida retalia falas do presidente Javier Milei durante a convenção nacional do PL no último sábado (25). O líder argentino discursou por cerca de quarenta minutos ao lado do senador Flávio Bolsonaro em São Paulo.
Milei referiu-se ao presidente Lula como presidiário e ladrão. O ministro Alexandre de Moraes também foi alvo, sendo chamado de lixo careca em alusão a supostas manipulações nas eleições de 2023. Tais declarações provocaram a convocação do embaixador brasileiro em Buenos Aires, Júlio Bitelli, pelo chanceler Mauro Vieira.
O risco climático e o fenômeno El Niño
A suspensão ocorre no início da atuação do fenômeno El Niño. Esse processo meteorológico periódico, que ocorre em intervalos de dois a sete anos, é marcado pelo superaquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico.
As altas temperaturas oceânicas costumam provocar chuvas mais frequentes e intensas na parte austral da América do Sul. Esse cenário impacta diretamente a instabilidade do clima em regiões como Uruguaiana e outras zonas fronteiriças entre Brasil e Argentina.
Histórico de cooperação mística e intervenções
A fundação alega prestar assistência à Argentina desde a Guerra das Malvinas, em 1982. O apoio teria começado durante a gestão de Raúl Alfonsín, o primeiro presidente eleito democraticamente no país após a ditadura militar.
Em janeiro de 1989, a entidade afirma ter realizado uma operação mística para combater a crise energética argentina. Através da mediação de Adelaide Scritori, a fundação teria influenciado o clima para atrair chuvas para as bacias hidrográficas locais. O objetivo era elevar os níveis dos reservatórios de hidrelétricas afetadas por seca em manobras chamadas de operações antiapagão.

















