A Justiça de São Paulo revogou o uso de tornozeleira eletrônica e a medida de recolhimento noturno impostas a Karen de Moura Tanaka Mori, conhecida como ‘Japa do PCC’. A investigada, suspeita de lavar dinheiro para a facção criminosa Primeiro Comando da Capital, agora deve cumprir restrições mais leves.
Revogação de medidas cautelares da ‘Japa do PCC
A decisão foi proferida pela juíza Paula Regina Schempf Cattan, da Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores. A magistrada argumentou que a manutenção das restrições por tempo indeterminado poderia configurar uma punição antecipada.
Cattan destacou que a investigada possui residência fixa e cumpriu todas as determinações anteriores sem apresentar indícios de tentativa de fuga. Por esse motivo, as medidas foram substituídas por obrigações menos rigorosas.
Novas restrições e a polêmica do passaporte
As novas condições incluem a proibição de deixar o estado de São Paulo sem autorização judicial e o comparecimento mensal em juízo. A entrega do passaporte foi definida como condição obrigatória para a retirada definitiva do equipamento de monitoramento eletrônico.
Surgiu um impasse jurídico sobre o documento. A defesa de Karen alega que o passaporte já foi apreendido pela Polícia Civil durante mandados de busca e apreensão.
Devido a pendências relacionadas ao documento, a Justiça determinou o cancelamento do passaporte junto à Polícia Federal. Esse problema levou a magistrada a suspender temporariamente os efeitos da flexibilização, mantendo a tornozeleira e o recolhimento noturno.
Investigação de lavagem de dinheiro e ligações com o PCC
Karen Mori é investigada por utilizar empresas de fachada para lavar recursos do tráfico nacional e internacional de drogas. Ela era casada com Wagner Ferreira da Silva, o ‘Cabelo Duro’, morto em 2018 e apontado como liderança do PCC.
Durante a Operação Verão, policiais apreenderam R$ 1,2 milhão em espécie e US$ 50 mil na residência da mulher no bairro Tatuapé. Um veículo de luxo também foi confiscado na ocasião.
Karen chegou a cumprir prisão preventiva, mas a medida foi convertida para prisão domiciliar por ela ser mãe de um filho menor.
Movimentações financeiras e a conexão com a WePink
Um relatório do Coaf indicou que uma empresa ligada à investigada movimentou mais de R$ 35 milhões. A Polícia Civil apura se esses valores são incompatíveis com o patrimônio anterior de Karen.
A investigação também alcançou os empresários Samara Martins e Thiago Stabile, sócios de Virginia Fonseca na marca WePink. Entre 2017 e 2022, Samara Pink e Karen Mori mantiveram uma sociedade para a expansão da rede de cosméticos Pink Lash.

















