Uma criança de 10 anos com meduloblastoma grau IV, um tumor cerebral maligno e de alto risco, foi atendida por um impostor durante dez meses no Rio de Janeiro. Diogo dos Santos Serpa foi preso em flagrante nesta quinta-feira (6) enquanto realizava mais um atendimento domiciliar no Jardim Pitoresco, em Nova Iguaçu.
Prisão de falso médico em Nova Iguaçu
O suspeito foi detido por agentes da 63ª DP (Japeri) no momento em que finalizava uma visita à paciente. A ação policial ocorreu na Baixada Fluminense, região onde o criminoso atuava.
A menina luta pela vida desde abril do ano passado e já havia passado por dez cirurgias delicadas, sendo sete delas na região da cabeça. O delegado Thiago Venturini Antunes classificou a situação como assustadora devido à extrema gravidade do quadro clínico da criança.
Como a mãe descobriu a fraude
Cintia Santos Matheus, mãe da vítima, começou a suspeitar do profissional quando percebeu que a sonda de alimentação da filha ficou cinco meses sem ser trocada. O crime foi registrado em vídeos que mostram a prisão do impostor enquanto ele atendia a criança.
Determinada a descobrir a verdade, ela pesquisou o registro profissional no Cremerj. A foto vinculada ao CRM não correspondia ao homem que frequentava a casa, confirmando a farsa.
Modus operandi e crimes cometidos
O criminoso se apresentava como Dr. Jeferson Targino Sampaio e utilizava ilegalmente o CRM, carimbos e receituários deste profissional. Ele cobrava valores entre R$ 700 e R$ 1 mil por cada visita de home care.
Durante a abordagem, Diogo alegou que cursa Medicina em uma universidade particular e estaria no 12º período. Com ele, a polícia apreendeu blocos de receituários e documentos carimbados em nome de outros médicos.
Responsabilidade da empresa de Home Care
A indicação do falso médico foi feita pela empresa Health+ Cuidados e Gestão, que presta serviços vinculados ao plano de saúde Unimed. Essa falha institucional permitiu que um impostor tivesse acesso a uma paciente em estado crítico por quase um ano.
A Polícia Civil agora investiga se outras pessoas na região foram vítimas de Diogo. O suspeito permanece preso e autuado por exercício ilegal da medicina com fins lucrativos.

















