Ao menos 19 pessoas morreram afogadas durante uma travessia massiva a nado entre Marrocos e o enclave espanhol de Ceuta nesta quinta-feira. O número de vítimas fatais em águas de Ceuta já ultrapassa 40 desde o início de 2026, marcando o índice mais alto desde a tragédia do Tarajal em 2014.
Caos migratório em Ceuta: o que aconteceu
Milhares de pessoas, a maioria jovens, mas também famílias com bebês e idosos, lançaram-se ao mar para alcançar território europeu. Muitos compraram boias na medina de Fnideq antes de aproveitar o nevoeiro cerrado para a travessia.
As estimativas sobre o volume de pessoas variam drasticamente entre as autoridades. O Ministério do Interior fala em até 2 mil migrantes, mas o presidente da cidade autônoma, Juan Jesús Vivas, menciona que houve até 20 mil movimentos nas últimas horas.
A situação foi tão avassaladora que agentes da Guarda Civil desistiram de conter a chegada no quebra-mar de Tarajal e apenas acompanharam a entrada em massa.
Causas e o efeito de atração
O governo espanhol culpa a instabilidade por uma decisão do Tribunal Supremo de julho, que impede as devoluções imediatas de migrantes interceptados no mar. Redes de tráfico de pessoas estariam instrumentalizando esse acórdão para atrair mais fluxos.
Enquanto isso, Marrocos atribui a vaga a organizações criminosas. O cenário é agravado por tensões diplomáticas recentes, incluindo a visita do primeiro-ministro Pedro Sánchez à Argélia.
Resposta militar e crise diplomática
O governo de Espanha ordenou o envio do Exército para apoiar a Guarda Civil no enclave. A operação inclui oito mergulhadores do Geas, drones e o navio Duque de Ahumada para reforçar a segurança marítima.
A crise extrapolou as fronteiras locais e atingiu a relação com Roma. A primeira-ministra italiana Giorgia Meloni ameaçou suspender o Acordo de Schengen com a Espanha, alegando que a imigração sem controle é uma ameaça à segurança europeia.
Tensão em Melilla e impacto regional
A pressão migratória não se limitou a Ceuta. Em Melilla, as autoridades fecharam a fronteira de Beni Enzar após novas tentativas de entrada em massa.
O cenário em Melilla foi marcado por violência, com relatos de disparos e veículos queimados no lado marroquino da fronteira. A região permanece em alerta máximo para evitar que o colapso visto em Ceuta se repita no enclave vizinho.

















