Cingapura tem, hoje, o passaporte mais poderoso do planeta. Seu documento permite que os cidadãos do país entrem sem visto em 192 destinos ao redor do mundo, 70 a mais do que era possível em 2006. A informação está no relatório de 20º aniversário do Henley Passport Index, o ranking global da liberdade de viagem, construído a partir do número de destinos que cada passaporte acessa sem visto ou com visto obtido na chegada (visa-on-arrival).
Depois de Cingapura, aparecem Japão, Coreia do Sul e Emirados Árabes Unidos, empatados na segunda posição, todos com 188 destinos; e a Suécia, que aparece isolada na 5ª posição, com 187 destinos.
Os Emirados Árabes Unidos subiram este ano para a 2ª posição — na comparação com 2006, isso representa um acréscimo de 153 novos destinos para o país, ante 60 a mais para o Japão e 73 a mais para a Coreia do Sul.
Depois da Suécia, vem um grande grupo de 11 países europeus com 186 destinos cada (Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega e Espanha), que ocupam juntos a 6ª posição, já que há cinco passaportes acima deles.
Estados Unidos: de líder isolado, em 2006, a 37ª posição
Em 2006, o passaporte americano era o mais poderoso do mundo, oferecendo a seus cidadãos um nível de acesso global igualado apenas por Dinamarca e Finlândia. Vinte anos depois, os Estados Unidos têm acesso sem visto a 180 destinos, empatados com a Islândia.
O relatório do Henley classifica oficialmente esse patamar como a 10ª posição do índice — mas, segundo o próprio relatório, há 36 países com pontuação superior à dos Estados Unidos atualmente. Contando cada um desses 36 passaportes individualmente, e não apenas a posição em que o Henley os agrupa, os Estados Unidos e a Islândia ocupam, na prática, a 37ª posição do ranking. Dinamarca e Finlândia, que dividiam o topo com os americanos há duas décadas, têm hoje 186 destinos cada — dentro do grande grupo europeu que ocupa a 6ª posição.
Brasil: 169 destinos e uma 46ª posição
O Brasil tem acesso sem visto a 169 destinos ao redor do globo, empatado com a Argentina, que tem o mesmo número de países liberados.
Com isso, Brasil e Argentina ocupam a 46ª posição do ranking.
Ainda assim, o Brasil subiu duas posições na classificação oficial do Henley em relação ao ano passado, mesmo tendo perdido dois destinos: eram 171 países liberados em 2025, ante 169 hoje. A Argentina, por sua vez, perdeu três países e agora empata com o Brasil.
O país sul-americano com maior liberdade de acesso não é o Brasil, e sim o Chile, com 174 destinos. O país ocupa a 43ª posição oficial do Henley.
Como funciona a metodologia do Henley Passport Index
O Henley Passport Index é construído a partir de dados exclusivos fornecidos pela International Air Transport Association (Iata). Para manter a precisão das informações diante das constantes mudanças nas políticas de visto, a equipe de pesquisa do Henley & Partners cruza cada um dos 199 passaportes de sua base de dados com os 227 destinos de viagem possíveis, usando fontes públicas confiáveis — como órgãos governamentais e veículos de imprensa —, em um processo contínuo ao longo do ano, associado a um sistema de monitoramento de mudanças nas políticas de visto.
A pontuação de cada passaporte é binária: para cada destino, atribui-se valor 1 quando não é necessário visto, ou quando é possível obter visto na chegada, um passe de visitante ou uma autorização eletrônica de viagem (ETA) sem aprovação prévia do governo antes da partida. Atribui-se valor 0 quando é necessário visto tradicional ou um e-Visto (visto eletrônico com aprovação prévia obrigatória antes da viagem). A pontuação total de cada passaporte corresponde à soma dos destinos para os quais não é exigido visto, sem qualquer peso ou cálculo adicional.
Oficialmente, o Henley atribui a mesma posição a todos os passaportes com a mesma pontuação total e, quando isso ocorre, o próximo passaporte da lista recebe a posição numérica imediatamente seguinte — sem “pular” números —, por entender que pontuações iguais representam resultados de mobilidade idênticos. Nesta reportagem, no entanto, as posições foram recalculadas para contabilizar cada passaporte individualmente: os países empatados continuam dividindo a mesma colocação, mas o próximo grupo da lista assume a posição correspondente ao total real de passaportes à sua frente. É esse o critério usado na tabela abaixo e nas posições citadas ao longo do texto.
O índice parte de uma série de premissas: o passaporte é válido e do tipo comum (não diplomático, de emergência ou temporário); o titular é um cidadão adulto do país emissor, viajando sozinho e não em grupo turístico; o titular cumpre os requisitos básicos de entrada (como reserva de hotel ou comprovação de recursos financeiros) e não precisa cumprir exigências complexas (como carta oficial do governo); o titular está com as vacinas necessárias em dia; a chegada e a partida ocorrem pelo mesmo aeroporto; a viagem é uma estadia curta (entre três dias e alguns meses), e não uma escala de trânsito; a entrada ocorre por uma cidade importante ou capital, quando exigido; e o motivo da viagem é turismo ou negócios. A política de visto da Groenlândia e das Ilhas Faroé é considerada igual à da Dinamarca.
O índice também distingue ETAs (autorizações eletrônicas de viagem) de e-Vistos: as primeiras são tratadas como equivalentes a “sem visto”, enquanto os e-Vistos são considerados uma forma de exigência de visto. Essa distinção leva em conta que ETAs — como o ESTA americano, o eTA canadense, o ETA britânico e o ETIAS europeu — costumam ser processados automaticamente, em minutos ou horas, com exigência mínima de informações e sem necessidade de documentação de apoio. Já os e-Vistos costumam ser analisados manualmente por autoridades governamentais, levam dias ou semanas para ser processados e exigem informações e documentos mais extensos — um processo semelhante ao de um visto tradicional solicitado em embaixada.
Os passaportes mais poderosos do mundo
| Posição | País | Pontos |
|---|---|---|
| 1º | Cingapura | 192 |
| 2º | Japão | 188 |
| 2º | Coreia do Sul | 188 |
| 2º | Emirados Árabes Unidos | 188 |
| 5º | Suécia | 187 |
| 6º | Bélgica | 186 |
| 6º | Dinamarca | 186 |
| 6º | Finlândia | 186 |
| 6º | França | 186 |
| 6º | Alemanha | 186 |
| 6º | Irlanda | 186 |
| 6º | Itália | 186 |
| 6º | Luxemburgo | 186 |
| 6º | Países Baixos | 186 |
| 6º | Noruega | 186 |
| 6º | Espanha | 186 |
| 17º | Áustria | 185 |
| 17º | Grécia | 185 |
| 17º | Malta | 185 |
| 17º | Portugal | 185 |

















