Em um vídeo publicado no Instagram, o ator baiano Wagner Moura assume o papel de curador e apresenta uma seleção pessoal de cinco filmes brasileiros disponíveis no catálogo da Netflix. Ao reunir um drama, um clássico da Boca do Lixo, um road movie de autor, um marco da retomada do cinema brasileiro dos anos 1990 e um documentário-referência, Wagner Moura monta um panorama que atravessa mais de quatro décadas de produção nacional.
Confira abaixo os 5 filmes nacionais indicados por Wagner Moura e que estão disponíveis na Netflix
O Som ao Redor (2012)
Moura abre a lista com o longa de estreia de Kleber Mendonça Filho, ambientado em uma rua de classe média de Recife. Na fala do ator, o filme é lembrado como uma experiência de descoberta: “Eu me lembro da sensação de ter visto e pensado que eu estava presenciando um dos maiores filmes brasileiros.” “O Som ao Redor” mistura drama e suspense para retratar a tensão latente por trás da vida de condomínio, com um elenco liderado por Irandhir Santos, Maeve Jinkings e W. J. Solha, e é apontado por críticos como um marco do cinema brasileiro contemporâneo.
Pixote, a Lei do Mais Fraco (1980)
A segunda escolha é o clássico de Hector Babenco, que acompanha um grupo de crianças e adolescentes em situação de rua em São Paulo, envolvidos em pequenos crimes e violência. Wagner Moura destaca sua importância histórica para o cinema nacional: “Esse filme de Hector Babenco é um dos grandes filmes da história do cinema brasileiro. Acho que sem Pixote não haveria Cidade de Deus, não haveria Tropa de Elite… Lindo filme.” O longa projetou o jovem ator Fernando Ramos da Silva e é hoje reconhecido internacionalmente como uma das obras mais influentes já feitas no país, citado como referência direta por cineastas de gerações seguintes.
O Céu de Suely (2006)
Dirigido por Karim Aïnouz, o filme acompanha Hermila (interpretada por Hermila Guedes), uma jovem que retorna à cidade natal, no interior do Ceará, e decide rifar a própria companhia para conseguir dinheiro e partir para São Paulo. Para Wagner Moura, é uma das obras mais marcantes do cinema mundial em sua trajetória como espectador: “É um dos meus filmes favoritos no mundo… É um filme que vem com uma potência tão grande, uma fotografia extraordinária.” O trabalho de Aïnouz é lembrado também pela atuação de Hermila Guedes, descrita por Moura como “uma performance inesquecível.”
Terra Estrangeira (1995)
Codirigido por Walter Salles e Daniela Thomas, o drama em preto e branco acompanha brasileiros que emigram para Portugal em meio à crise econômica do governo Collor, no início dos anos 1990. Wagner Moura destaca a atuação de Fernanda Torres, que interpreta Alex ao lado de Fernando Alves Pinto: “Quem vai se esquecer de Fernanda cantando aquela música do Waly Salomão que Gal gravou?” A cena remete a “Vapor Barato”, composição de Waly Salomão e Jards Macalé eternizada na voz de Gal Costa, que ganha um momento icônico no filme através da personagem vivida por Torres.
Edifício Master (2002)
Para fechar a lista, Wagner Moura escolhe o documentário de Eduardo Coutinho, que retrata os moradores de um prédio popular em Copacabana, no Rio de Janeiro. “Esse filme é sobre um edifício, um prédio em Copacabana. A curiosidade que Coutinho tem por aqueles moradores daquele prédio é uma obra linda e fascinante”, resume o ator. Considerado um dos trabalhos mais celebrados de Coutinho, um dos maiores nomes do documentário brasileiro, “Edifício Master” tece um retrato coletivo do Rio de Janeiro a partir das histórias individuais de dezenas de moradores do edifício.

















