O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), divulgado nessa quinta-feira (23), apontou que a tripulação da Voepass esqueceu de acionar o sistema de degelo durante o voo. A aeronave realizava a rota de Cascavel (PR) para Guarulhos (SP) quando caiu em Vinhedo (SP), no dia 9 de agosto de 2024. O acidente resultou na morte de todas as 62 pessoas a bordo.
Relatório final do Cenipa: o que causou a queda da Voepass
A investigação concluiu que o acúmulo de gelo nas superfícies da aeronave comprometeu seu desempenho técnico. Isso provocou a perda de velocidade, estol aerodinâmico e a consequente perda de controle do avião.
O turboélice ATR-72 entrou em rotação em parafuso antes de colidir contra o solo em uma área residencial. O órgão técnico da Força Aérea Brasileira reuniu as conclusões para identificar os fatores contribuintes deste acidente aéreo.
Falhas da tripulação e conversas pessoais
Durante a gravação da caixa-preta, o piloto Danilo Romano e o copiloto Humberto de Campos Alencar e Silva conversavam sobre temas pessoais. A aeronave emitiu alertas de excesso de gelo por diversas vezes.
Às 13h11, no quarto aviso do sistema, o copiloto admitiu ter esquecido de ligar o dispositivo de degelo. O Cenipa informou que o comandante passava por problemas pessoais que podem ter desviado seu foco dos alertas.
Irregularidades no despacho e manutenção
O avião não deveria ter decolado pois operava com o sistema Airframe De-Icing inoperante. Além disso, a aeronave possuía dez itens de atenção na lista de equipamentos mínimos, incluindo a falha no limpador de para-brisas.
Investigações revelaram que mecânicos trocavam componentes em falha entre diferentes aeronaves para liberá-las para voo. A empresa Voepass afirmou que colaborou de forma transparente com as investigações.
Cultura de normalização de desvios
O Cenipa identificou uma cultura organizacional de normalizar desvios, onde alertas eram ignorados e falhas não eram reportadas. A análise de 15 mil voos mostrou que 1.674 apresentaram alertas de degradação de performance.
Diante desses fatos, a associação de familiares das vítimas anunciou que entrará com uma ação coletiva por danos morais. A Anac informou que analisará as recomendações técnicas em até 120 dias.

















