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Patrimônio imaterial de Catas Altas, vinho de jabuticaba mantém viva a tradição e cultura local

28/10/2025 às 12h07 - Atualizado em 15/12/2025 às 15h33
vinho de jabuticaba de catas altas
Crédito: Leonardo Fonseca / BHAZ

O vinho de jabuticaba de Catas Altas vai além do sabor: é parte viva da história e da identidade da cidade. Produzido de forma artesanal, ele carrega a dedicação e o cuidado de gerações que mantêm viva essa tradição. Exemplo dessa herança é Caio Ayres que seguiu os passos da família e hoje comanda a produção do vinho Dona Gercina, marca criada pelo seu bisavô em 1949. 

Mais do que uma bebida típica, o vinho de jabuticaba se tornou um símbolo de Catas Altas, reconhecido oficialmente como patrimônio cultural imaterial do município. A história remete a chegada de um religioso à cidade, Monsenhor Mendes, em 1868, e à decadência do ciclo do ouro na região, o que o levou a incentivar o cultivo de subsistência, incluindo a produção de vinho, à época ainda feito de uva.

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“Por onde a gente vai, levamos sempre o nome do vinho de jabuticaba. Para nós, é um orgulho muito grande ter a oportunidade de levar o vinho de Catas Altas para outros lugares e apresentar esse produto tão importante para nós”, afirma Caio. 

E o vinho Dona Gercina, ganhador de vários prêmios, representa bem o legado da família e a força da tradição que mantém viva a identidade da cidade. “Meu bisavô resgatou o modo de fazer vinho de jabuticaba em Catas Altas. Desde então, o vinho vem passando de geração em geração. Eu sou o quarto descendente responsável por manter essa tradição”. 

Herança familiar

Segundo ele, o nome do vinho é uma homenagem à avó dele, Dona Gercina, que assumiu a produção por um tempo. “Depois passou para o meu pai, e, quando ele precisou ser internado, em 2016, ficou preocupado sobre quem tomaria conta da colheita da jabuticaba. Na época, eu morava em Barão de Cocais, mas fiquei com aquilo na cabeça e resolvi dar uma chance”. 

Caio Ayres, produtor do vinho de jabuticaba Dona Gercina
Caio Ayres herdou da família a produção do vinha de jabuticaba Dona Gercina (Leonardo Fonseca/BHAZ)

Para Caio, assumir o legado da família aconteceu de forma natural, já que ele cresceu acompanhando de perto cada passo do processo. “A gente já tinha o costume de acompanhar tudo desde criança, brincando nos quintais e ajudando minha avó. Ela dizia: ‘vai lá, colhe um tiquinho de jabuticaba.’ A gente ganhava um dinheirinho daqui, outro dali, ajudava e também aprendia”, relata.

Para a última Festa do Vinho, evento tradicional que acontece todo ano na cidade, Caio conta que produziu cerca de oito tipos de vinhos, entre eles de jabuticaba ou de uva. “Um dos nossos produtos diferenciados é o frisante de jabuticaba, que é tipo um espumante. Foi um sucesso na Festa do Vinho. Vendemos todas as garrafas”, conclui ele.

Caio também faz parte da Aprovart, uma associação que tem o intuito de fomentar a produção artesanal local. A associação conta com uma lojinha na Praça Monsenhor Mendes, a principal da cidade e que leva o nome do responsável pela tradição de mais de 150 anos. Lá você encontra não só vinhos de jabuticaba, mas diversos produtos feitos com a fruta, como geleias, compotas, bolos, biscoitos e muito mais!

Como é feito o Vinho de Jabuticaba

A produção do Vinho Dona Gercina acontece no quintal da casa que pertenceu à avó de Caio.

Primeiro passo

As jabuticabas são colhidas no quintal da casa.

Segundo passo

As jabuticabas passam por uma lavagem.

Produção do vinho de jabuticaba
Onde as jabuticabas são lavadas (Leonardo Fonseca/BHAZ)

Terceiro passo

As jabuticabas são levadas para o quebrador.

Caio Ayres ensina passo a passo de como fazer vinho de jabuticaba
Quebrador de jabuticaba (Leonardo Fonseca)

Quarto passo

As cascas e o caldo das jabuticabas são levados para a primeira primeira fermentação do vinho, que dura de sete a oito dias.

Barris à direito são onde acontece a fermentação (Leonardo Fonseca/BHAZ)

Quinto passo

Descarta as cascas e leva o caldo da jabuticaba para a fermentadora

Sexto passo

Realiza a primeira trasfega do vinho — transfere o vinho de um barril para o outro para separá-lo dos sedimentos. Segundo Caio, o vinho Dona Gercina passa por, mais ou menos, três trasfegas.

Barris onde ocorre a trasfega (Leonardo Fonseca/BHAZ)

Sétimo passo

Após cerca de cinco meses, o vinho de jabuticaba está pronto para ser engarrafado e comercializado!

Vinho de Jabuticaba de Catas Altas
(Leonardo Fonseca/BHAZ)

Amanda Serrano

Com experiência nas principais redações de Minas, como Jornal Estado de Minas e TV Band Minas, além de atuação como assessora política, Amanda Serrano é, atualmente, repórter do Portal BHAZ. Em 2024, fez parte da equipe vencedora do Prêmio CDL/BH de Jornalismo.
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