O vinho de jabuticaba de Catas Altas vai além do sabor: é parte viva da história e da identidade da cidade. Produzido de forma artesanal, ele carrega a dedicação e o cuidado de gerações que mantêm viva essa tradição. Exemplo dessa herança é Caio Ayres que seguiu os passos da família e hoje comanda a produção do vinho Dona Gercina, marca criada pelo seu bisavô em 1949.
Mais do que uma bebida típica, o vinho de jabuticaba se tornou um símbolo de Catas Altas, reconhecido oficialmente como patrimônio cultural imaterial do município. A história remete a chegada de um religioso à cidade, Monsenhor Mendes, em 1868, e à decadência do ciclo do ouro na região, o que o levou a incentivar o cultivo de subsistência, incluindo a produção de vinho, à época ainda feito de uva.
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“Por onde a gente vai, levamos sempre o nome do vinho de jabuticaba. Para nós, é um orgulho muito grande ter a oportunidade de levar o vinho de Catas Altas para outros lugares e apresentar esse produto tão importante para nós”, afirma Caio.
E o vinho Dona Gercina, ganhador de vários prêmios, representa bem o legado da família e a força da tradição que mantém viva a identidade da cidade. “Meu bisavô resgatou o modo de fazer vinho de jabuticaba em Catas Altas. Desde então, o vinho vem passando de geração em geração. Eu sou o quarto descendente responsável por manter essa tradição”.
Herança familiar
Segundo ele, o nome do vinho é uma homenagem à avó dele, Dona Gercina, que assumiu a produção por um tempo. “Depois passou para o meu pai, e, quando ele precisou ser internado, em 2016, ficou preocupado sobre quem tomaria conta da colheita da jabuticaba. Na época, eu morava em Barão de Cocais, mas fiquei com aquilo na cabeça e resolvi dar uma chance”.

Para Caio, assumir o legado da família aconteceu de forma natural, já que ele cresceu acompanhando de perto cada passo do processo. “A gente já tinha o costume de acompanhar tudo desde criança, brincando nos quintais e ajudando minha avó. Ela dizia: ‘vai lá, colhe um tiquinho de jabuticaba.’ A gente ganhava um dinheirinho daqui, outro dali, ajudava e também aprendia”, relata.
Para a última Festa do Vinho, evento tradicional que acontece todo ano na cidade, Caio conta que produziu cerca de oito tipos de vinhos, entre eles de jabuticaba ou de uva. “Um dos nossos produtos diferenciados é o frisante de jabuticaba, que é tipo um espumante. Foi um sucesso na Festa do Vinho. Vendemos todas as garrafas”, conclui ele.
Caio também faz parte da Aprovart, uma associação que tem o intuito de fomentar a produção artesanal local. A associação conta com uma lojinha na Praça Monsenhor Mendes, a principal da cidade e que leva o nome do responsável pela tradição de mais de 150 anos. Lá você encontra não só vinhos de jabuticaba, mas diversos produtos feitos com a fruta, como geleias, compotas, bolos, biscoitos e muito mais!
Como é feito o Vinho de Jabuticaba
A produção do Vinho Dona Gercina acontece no quintal da casa que pertenceu à avó de Caio.
Primeiro passo
As jabuticabas são colhidas no quintal da casa.
Segundo passo
As jabuticabas passam por uma lavagem.

Terceiro passo
As jabuticabas são levadas para o quebrador.

Quarto passo
As cascas e o caldo das jabuticabas são levados para a primeira primeira fermentação do vinho, que dura de sete a oito dias.

Quinto passo
Descarta as cascas e leva o caldo da jabuticaba para a fermentadora
Sexto passo
Realiza a primeira trasfega do vinho — transfere o vinho de um barril para o outro para separá-lo dos sedimentos. Segundo Caio, o vinho Dona Gercina passa por, mais ou menos, três trasfegas.

Sétimo passo
Após cerca de cinco meses, o vinho de jabuticaba está pronto para ser engarrafado e comercializado!












