“O Brasil é um meme que nunca dorme”. Quem é “cronicamente online” provavelmente já esbarrou com essa frase e, se ainda não viu, terá a chance de mergulhar de vez nesse universo. A partir deste sábado (28), a exposição “MEME: no Br@sil da memeficação” chega ao CCBB BH, na região Centro-Sul da capital mineira, e reúne cultura digital, arte contemporânea e crítica social em cerca de 800 itens de 200 criadores.
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A mostra gratuita tem curadoria de Clarissa Diniz e Ismael Monticelli, além da colaboração do perfil de Instagram @newmemeseum, e convida o público a explorar a memeficação como um dos modos mais potentes e irônicos de narrar o Brasil contemporâneo.
“Memes não são só piadas. Eles são ferramentas políticas, culturais e afetivas. São como o Brasil elabora, disputa e contorna suas diferenças – sociais, raciais, de gênero, estéticas – em tempo real”, afirmou Clarissa Diniz.
A exposição traz nomes consagrados da arte contemporânea brasileira, como Anna Maria Maiolino, Gretta Sarfaty, Nelson Leirner e Claudio Tozzi, ao lado de criadores de conteúdo como Blogueirinha, Porta dos Fundos, Alessandra Araújo, Melted Vídeos, John Drops e Greengo Dictionary.
Veja as obras disponíveis para visitação:
O meme antes do meme
A mostra se organiza em cinco eixos temáticos: ‘Ao pé da letra’, ‘A hora dos amadores’, ‘Da versão à inversão’, ‘O eu proliferado’ e ‘Combater ficção com ficção’. As obras ocupam o pátio e o 3º andar do CCBB BH, em uma diversidade de formatos que inclui vídeos, neons, esculturas, roupas, quadrinhos, pinturas, objetos, backlights, instalações sonoras e experiências interativas.
“A exposição não tem a ambição de ser um inventário do humor nacional, mas investigar os memes como uma linguagem viva, que transborda a internet e afeta diretamente nossas formas de pensar, sentir e agir”, contou Ismael Monticelli.
Entre os destaques está a instalação ‘Prólogo – Alisa Meu Pelo’, inspirada no meme que viralizou em 2017 a partir da onça-pintada estampada na nota de R$ 50. Na exposição, onças em diferentes materiais, criadas pelos artistas José Francisco Afrânio, Jorge Gomes e Vinicius Vaitsmann, convidam o público ao toque e à interação, ampliando esse gesto coletivo de humor e reflexão.
Eixos temáticos
Em ‘Ao pé da letra’, o público confere práticas como o uso de emojis, narrações e dublagens cômicas, além de línguas digitais como o tiopês, o pajubá e estruturas como o snowclone. O núcleo revela como essas invenções linguísticas produzem deslocamentos de sentido e potência crítica.
Já ‘A hora dos amadores’, inspirado na capa da revista Time de 2006, que elegeu “você” como a personalidade do ano, aborda a virada provocada pela internet e pelas redes sociais, que deram visibilidade inédita às “pessoas comuns”. Os memes, nesse contexto, aparecem como uma tecnologia social de protagonismo, permitindo que vozes antes apagadas ou silenciadas ocupem o centro da cena cultural.
O núcleo ‘Da versão à inversão’, por sua vez, mostra como os memes transformam cópias em releituras que subvertem e desmontam o original, produzindo humor, paródia e comentário social. Já ‘O eu proliferado’ volta-se à explosão do “eu” nas redes sociais e à forma como a vida privada se tornou espetáculo.
Por fim, ‘Combater a ficção com ficção’ aborda a polarização política e a radicalização do discurso público e examina o papel dos memes na disputa simbólica do presente. . A curadoria propõe aqui uma reflexão sobre os usos éticos do riso, compreendendo o humor como forma sofisticada de diplomacia, mas também como instrumento perigoso nas mãos do autoritarismo.


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Exposição ‘MEME: no Br@sil da memeficação’
- Data: de 28 de março a 22 de junho de 2026
- Horário: De quarta a segunda, das 10h às 22h
- Local: CCBB BH | Praça da Liberdade, 450 – Funcionários, BH
- Ingresso: gratuitos | no ccbb.com.br/bh ou na bilheteria do CCBB BH












