Ícones incontestáveis no imaginário popular brasileiro, os personagens João Grilo e Chicó, do “Auto da Compadecida”, se reencontram no novo trabalho da Orquestra Ouro Preto. É que o conjunto mineiro lança, nesta sexta-feira (11), um álbum duplo, em roupagem erudita, sobre a obra de Ariano Suassuna. A adaptação do clássico registra a experiência sonora do espetáculo que circula pelos palcos do Brasil há dois anos.
Batizado “Auto da Compadecida, a Ópera”, o projeto marca a terceira incursão da Orquestra no gênero e simboliza a maturidade da formação mineira, que se aproxima dos 25 anos de história. Segundo o maestro Rodrigo Toffolo, responsável pela Ouro Preto, o álbum reforça o compromisso do grupo em democratizar o acesso à cultura e à música de concerto.
“Além de criar novos projetos, a Orquestra Ouro Preto também dá grande importância à formação de repertório e de novos públicos. Nada melhor para isso do que oferecer a todos, de forma gratuita, a oportunidade de ter contato com esse gênero tão antigo na história da arte, mas apresentado de maneira super contemporânea, com a linguagem dos nossos tempos e do nosso povo, em um suporte tão acessível e ocupado por públicos de todas as idades como são as plataformas digitais”, destaca.
A história de João Grilo e Chicó reúne, na versão da formação mineira, uma equipe volumosa para apresentar “uma ópera-buffa brasileira em dois atos”. Até por isso, também em duas partes o álbum é dividido. A música é original e traz a assinatura de Tim Rescala. O compositor assina o libreto junto com o próprio maestro Rodrigo Toffolo, responsável, ainda, pela concepção e direção musical da montagem.
Dos palcos para os fones
“Auto da Compadecida, a Ópera” traz a comédia como elemento principal de sua linguagem. Para cumprir a missão, formou-se um grande elenco em cena, e também nas gravações, para que a relação direta com a plateia, estabelecida nos palcos, transbordasse para o disco.
São grandes nomes do canto lírico brasileiro – Fernando Portari, Marília Vargas, Marcelo Coutinho, Carla Rizzi, Jabez Lima e Rafael Siano –, além de um trio de atores escolhidos para dar voz e corpo ao clássico da literatura brasileira – Glicério do Rosário, Claudio Dias e Maurício Tizumba.
O registro estreante formaliza a celebração de um grande sucesso obtido pelas salas de espetáculo do país, desde a estreia da montagem em 2022, passando por uma noite de total encantamento em 2023, na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, com plateia de mais de 10 mil pessoas na areia.
Sobre o trabalho de adaptação e composição de Tim, Toffolo destaca o caráter “cativante e de caráter universal”. “E tenho certeza de que o público que ainda não conhece a ópera, assim como quem vai ouvir novamente, agora nas plataformas, vai ficar feliz com o resultado. E muitos vão dizer aquela frase que tanto nos traz alegria de ouvir: ‘só a Orquestra Ouro Preto para fazer isso'”, garante.
“Auto da Compadecida, a Ópera” é mais um lançamento da Orquestra Ouro Preto com a Musickeria, parceria que já deu à luz três outras adaptações: “Gênesis: Orquestra Ouro Preto e João Bosco”, “Orquestra Ouro Preto: A-Ha” e “Orquestra Ouro Preto: Vander Lee (No Balanço do Balaio)“.
Sobre a Orquestra
No ano de 2000, o músico Rufo Herrera e o produtor Ronaldo Toffolo, associados a um grupo de instrumentistas que integravam o grupo Trilos e o Quarteto Ouro Preto, criaram a Orquestra Experimental da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), hoje Orquestra Ouro Preto. O diretor artístico e regente titular é o maestro Rodrigo Toffolo.
A atuação da OOP é marcada pelo experimentalismo e ineditismo. O grupo já se apresentou nas principais capitais do país e no exterior, com presença de grande público em apresentações na Inglaterra, Portugal, Espanha, Argentina e Bolívia.
Sobre Ariano Suassuna
Ariano Vilar Suassuna nasceu em João Pessoa, de 16 de junho de 1927 e morreu em Recife, no dia 23 de julho de 2014. Foi um intelectual, escritor, teórico da arte, dramaturgo, romancista, ensaísta, poeta, artista plástico, professor, advogado e palestrante brasileiro.
Idealizador do Movimento Armorial e autor de obras como Auto da Compadecida (1955) e Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta (1971), Suassuna foi um incansável defensor da cultura do Nordeste do Brasil e um dos maiores expoentes da literatura brasileira.
Em 2012, foi indicado pela Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal como representante do Brasil na disputa pelo Prêmio Nobel de Literatura.













