Os clientes que estavam no Bar do Dedinho, no bairro Santa Amélia, na região da Pampulha, em Belo Horizonte, durante o ataque que matou dois irmãos na noite dessa terça-feira (21), são chamados para quitar as contas que ficaram em aberto. No momento do crime, com o intuito de escapar dos tiros, muitas pessoas saíram correndo do estabelecimento e não pagaram pelo que foi consumido. Agora, perfis nas redes sociais, como o da Associação do Bairro Santa Amélia e de conhecidos do proprietário, fazem campanha para reduzir os prejuízos do bar.
Nessa terça-feira (21), os irmãos Abraão Isaque Ferreira, de 35 anos, e Moisés Elias Ferreira, de 38, foram mortos no bar após dois criminosos invadirem o local e atirarem contra eles. Outros quatro clientes também ficaram feridos. Segundo a Polícia Militar (PMMG), o alvo dos atiradores era Abraão Isaque, que, horas antes do crime, publicou nas redes sociais onde estava.
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Após o episódio, o Bar do Dedinho ficou destruído, além de acumular prejuízos devido aos clientes que não pagaram o que foi consumido. O estabelecimento, que ficava na avenida Deputado Anuar Menhem, mudou-se para a avenida Guarapari há pouco mais de um mês. O espaço é bastante conhecido na região e participa, há 18 anos, do tradicional concurso Comida di Buteco.
Em respeito às vítimas, o bar permaneceu fechado nessa quarta-feira (22) e reabriu nesta quinta-feira (23), com funcionamento em horário normal.
Mobilização na internet
Nas redes sociais, perfis no Instagram, como o do Bairro Santa Amélia e o da Associação Bairro Santa Amélia BH, publicaram um vídeo solicitando que os clientes compareçam ao bar para quitar as dívidas em aberto. Segundo a mobilização, “o dono já foi muito prejudicado com tudo o que aconteceu”. Além disso, a orientação é procurar o proprietário pelo perfil do Bar do Dedinho e acertar o valor.
“O problema não é o bar. O que aconteceu ali, poderia ter acontecido em qualquer lugar, bar, restaurante e evento. (…) Depois que tudo passa, fica o prejuízo, a insegurança, a incerteza e, muitas vezes, um julgamento pesado de quem nem conhece a realidade. Se você estava lá e, por conta do ocorrido, acabou saindo sem pagar sua conta, resolve isso. Seja honesto e procura o bar, acerta o que ficou para trás. Parece pequeno, mas, para quem está do outro lado, faz uma diferença enorme”.
Veja o vídeo:
Em nota, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel) lamentou o ocorrido e manifestou solidariedade às famílias, amigos e a todos os envolvidos.
“O empresário do setor já enfrenta inúmeros desafios diários para manter seu estabelecimento em funcionamento, sendo constantemente exigido a ter atenção não apenas ao ambiente interno, mas também às questões externas, especialmente relacionadas à segurança”, escreveu.
Além disso, a Abrasel afirmou que situações como essa trazem danos irreparáveis ao estabelecimento e à sociedade. “A Abrasel em Minas Gerais se coloca à disposição para apoiar o empresário no que for necessário neste momento, e espera que os responsáveis por este ato sejam devidamente identificados e responsabilizados”, disse.
Entenda
Segundo a PM, os irmãos estavam acompanhados de duas mulheres e permaneceram no bar por cerca de três horas. Testemunhas relataram que os disparos começaram por volta das 22h. Houve correria quando os bandidos chegaram atirando e as mulheres teriam se protegido deitando no chão. Ao todo, foram encontradas 13 cápsulas no local. Quando a polícia chegou ao local, um dos irmãos já estava morto. O outro chegou a ser socorrido pelos próprios policiais e levado ao Hospital Risoleta Neves, mas não resistiu aos ferimentos.
O alvo dos disparos seria Abrãao Isaque. Segundo testemunhas, ao ver o irmão baleado, Moisés Elias tentou reagir e entrou em luta com um dos suspeitos, o que o fez levar um tiro. Testemunhas também informaram que os atiradores fugiram pela rua Olinda Ferreira Lopes, no sentido da avenida contrário ao bar.
Em nota, a Polícia Civil disse que investiga as circunstâncias, a motivação e a autoria do duplo homicídio. A perícia compareceu no local do crime e coletou vestígios, além de informações que podem ajudar na identificação dos suspeitos. O inquérito é conduzido pelo Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Informações preliminares dão conta de que pelo menos uma das vítimas tinha ligação com o tráfico de drogas. A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) confirma que Abraão ficou preso entre os anos de 2017 e 2023, quando recebeu um alvará de soltura.











