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Mobilização pede que clientes quitem contas em bar que sofreu ataque na Pampulha, em BH

23/04/2026 às 17h17
Mobilização pede que clientes quitem contas em bar que sofreu ataque na Pampulha, em BH
Ataque, que deixou dois irmãos mortos, ocorreu no Bar do Dedinho, no bairro Santa Amélia. (Reprodução/Redes Sociais)

Os clientes que estavam no Bar do Dedinho, no bairro Santa Amélia, na região da Pampulha, em Belo Horizonte, durante o ataque que matou dois irmãos na noite dessa terça-feira (21), são chamados para quitar as contas que ficaram em aberto. No momento do crime, com o intuito de escapar dos tiros, muitas pessoas saíram correndo do estabelecimento e não pagaram pelo que foi consumido. Agora, perfis nas redes sociais, como o da Associação do Bairro Santa Amélia e de conhecidos do proprietário, fazem campanha para reduzir os prejuízos do bar.

Nessa terça-feira (21), os irmãos Abraão Isaque Ferreira, de 35 anos, e Moisés Elias Ferreira, de 38, foram mortos no bar após dois criminosos invadirem o local e atirarem contra eles. Outros quatro clientes também ficaram feridos. Segundo a Polícia Militar (PMMG), o alvo dos atiradores era Abraão Isaque, que, horas antes do crime, publicou nas redes sociais onde estava.

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Após o episódio, o Bar do Dedinho ficou destruído, além de acumular prejuízos devido aos clientes que não pagaram o que foi consumido. O estabelecimento, que ficava na avenida Deputado Anuar Menhem, mudou-se para a avenida Guarapari há pouco mais de um mês. O espaço é bastante conhecido na região e participa, há 18 anos, do tradicional concurso Comida di Buteco.

Em respeito às vítimas, o bar permaneceu fechado nessa quarta-feira (22) e reabriu nesta quinta-feira (23), com funcionamento em horário normal.

Mobilização na internet

Nas redes sociais, perfis no Instagram, como o do Bairro Santa Amélia e o da Associação Bairro Santa Amélia BH, publicaram um vídeo solicitando que os clientes compareçam ao bar para quitar as dívidas em aberto. Segundo a mobilização, “o dono já foi muito prejudicado com tudo o que aconteceu”. Além disso, a orientação é procurar o proprietário pelo perfil do Bar do Dedinho e acertar o valor.

“O problema não é o bar. O que aconteceu ali, poderia ter acontecido em qualquer lugar, bar, restaurante e evento. (…) Depois que tudo passa, fica o prejuízo, a insegurança, a incerteza e, muitas vezes, um julgamento pesado de quem nem conhece a realidade. Se você estava lá e, por conta do ocorrido, acabou saindo sem pagar sua conta, resolve isso. Seja honesto e procura o bar, acerta o que ficou para trás. Parece pequeno, mas, para quem está do outro lado, faz uma diferença enorme”.

Veja o vídeo:

Em nota, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel) lamentou o ocorrido e manifestou solidariedade às famílias, amigos e a todos os envolvidos.

“O empresário do setor já enfrenta inúmeros desafios diários para manter seu estabelecimento em funcionamento, sendo constantemente exigido a ter atenção não apenas ao ambiente interno, mas também às questões externas, especialmente relacionadas à segurança”, escreveu.

Além disso, a Abrasel afirmou que situações como essa trazem danos irreparáveis ao estabelecimento e à sociedade. “A Abrasel em Minas Gerais se coloca à disposição para apoiar o empresário no que for necessário neste momento, e espera que os responsáveis por este ato sejam devidamente identificados e responsabilizados”, disse.

Entenda

Segundo a PM, os irmãos estavam acompanhados de duas mulheres e permaneceram no bar por cerca de três horas. Testemunhas relataram que os disparos começaram por volta das 22h. Houve correria quando os bandidos chegaram atirando e as mulheres teriam se protegido deitando no chão. Ao todo, foram encontradas 13 cápsulas no local. Quando a polícia chegou ao local, um dos irmãos já estava morto. O outro chegou a ser socorrido pelos próprios policiais e levado ao Hospital Risoleta Neves, mas não resistiu aos ferimentos.

O alvo dos disparos seria Abrãao Isaque. Segundo testemunhas, ao ver o irmão baleado, Moisés Elias tentou reagir e entrou em luta com um dos suspeitos, o que o fez levar um tiro. Testemunhas também informaram que os atiradores fugiram pela rua Olinda Ferreira Lopes, no sentido da avenida contrário ao bar.

Em nota, a Polícia Civil disse que investiga as circunstâncias, a motivação e a autoria do duplo homicídio. A perícia compareceu no local do crime e coletou vestígios, além de informações que podem ajudar na identificação dos suspeitos. O inquérito é conduzido pelo Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Informações preliminares dão conta de que pelo menos uma das vítimas tinha ligação com o tráfico de drogas. A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) confirma que Abraão ficou preso entre os anos de 2017 e 2023, quando recebeu um alvará de soltura.

Ana Magalhães

Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foi estagiária do Jornal Estado de Minas e do programa Agenda da Rede Minas de Televisão. Repórter do BHAZ desde agosto de 2024.
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