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Morte de idosos em BH: delegado manifesta por exame de insanidade mental de diarista

10/07/2026 às 12h46
(Reprodução/PCMG)

O delegado responsável pela investigação da diarista suspeita matar um casal de idosos em Belo Horizonte, representou pelo exame de insanidade mental de Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos. A informação foi confirmada ao BHAZ pelo advogado de defesa da suspeita, nesta sexta-feira (10).

Agora, o Ministério Público deverá se manifestar pelo deferimento ou indeferimento da representação. Somente após essa manifestação caberá à Justiça decidir se instaura ou não o incidente de insanidade mental.

Se a Justiça determinar a instauração do incidente de insanidade mental, será aberto um procedimento específico para avaliar as condições mentais da acusada. Durante esse período, o processo principal ficará suspenso, assim como os prazos processuais e o prazo de prescrição, até a conclusão da perícia.

Suspeita não será julgada pelo júri

Paola também não será julgada pelo Tribunal do Júri. Segundo a decisão da Justiça de Minas Gerais, o caso deve correr por uma vara criminal comum, porque a investigação enquadra o crime como latrocínio.

Na decisão, a juíza Ana Carolina Rauen declarou a incompetência do Tribunal do Júri para analisar o caso. O latrocínio é classificado pela legislação brasileira como crime contra o patrimônio e, por isso, não se enquadra entre os crimes dolosos contra a vida, que são julgados, exculsivamente, por jurados populares no Brasil.

Embora as vítimas tenham sido assasinadas, o enquadramento jurídico adotado pela investigação foi de latrocínio, previsto no artigo 157, §3º, do Código Penal. Nesses casos, a morte ocorre durante a prática de um roubo, e o bem jurídico considerado principal pela lei é o patrimônio.

Por esse motivo, o julgamento não é realizado pelo Tribunal do Júri, diferentemente dos crimes dolosos contra a vida.

Relembre o caso

Cláudio Atala, de 75 anos, e a esposa dele, Maria Clotilde, de 76 anos, foram mortos no dia 29 de junho, dentro do apartamento que moravam, no bairro São Pedro, região Centro-Sul de Belo Horizonte.

Os corpos teriam sido encontrados pelo filho do casal no dia 1º de julho, depois que ele ficou sabendo que o pai não havia aparecido no trabalho. Ao entrar no apartamento, se deparou com os pais já sem vida no local. Segundo o boletim de ocorrência, os dois tinham ferimentos em diferentes partes do corpo, como costas, garganta, pescoço, barriga, queixo e tórax, além de sinais de defesa.

Ao investigar as câmeras de monitoramento do prédio, a Polícia Civil identificou a entrada e saída da diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos. Equipes foram até a casa dela em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de BH. Ela não foi encontrada e parentes contaram à polícia que ela teria viajado para o estado do Espírito Santo com o filho.

Além disso, de acordo com informações obtidas pelo BHAZ junto a fontes ligadas à Polícia Civil de Minas Gerais, parentes informaram que a mulher acumulava uma dívida de aproximadamente R$ 40 mil com jogos de azar online, incluindo o popular ‘Jogo do Tigrinho’. A informação ainda é apurada pela polícia e não foi confirmada oficialmente pela PC.

No local, a polícia constatou que havia uma gaveta de semi joias arrombada no apartamento e que os celulares dos idosos foram roubados.

Suspeita dopou idosos

Paola teria sido indicada por um familiar do casal para prestar serviços na residência deles. No dia do crime, era a primeira vez da autora trabalhando no local.

Conforme a investigação, a mulher já trabalhava há muito tempo na casa desse familiar e nunca havia apresentado indícios de má índole ou de ter cometido outros crimes na residência dele. Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), não há suspeitas de que o familiar estaria envolvido no crime, uma vez que ele estaria profundamente abalado com a situação.

A mulher confessou que colocou quatro comprimidos no suco de Maria e de Cláudio. Após isso, ela desferiu mais de 40 golpes golpes de facas contra o idoso e 17 contra a idosa. A polícia suspeita que o idoso tenha reagido e, por isso, teria tomado mais golpes de faca que a esposa dele.

Roubo

Paola foi flagrada por câmeras de segurança do condomínio, que mostraram a chegada dela às 7h30 e a saída às 15h30, nessa segunda-feira (29). Ao deixar o prédio, ela usava roupas diferentes das que chegou e levava duas bolsas grandes, sendo que uma das bolsas era de Maria Clotilde.

Além disso, a suspeita também foi flagrada descartando uma blusa com manchas de sangue. As imagens mostram o momento em que Paola joga a blusa branca, que usava ao chegar ao apartamento do casal, em uma caçamba localizada em uma rua abaixo do prédio onde o crime ocorreu.

Prisão

A suspeita foi presa na madrugada desta quinta-feira (2), em Itabira, na região Central de Minas Gerais.

Durante a prisão de Paola, a polícia apreendeu objetos do casal e R$ 18 mil em espécie, que ela adquiriu com a venda dos pertences das vítimas. Segundo as investigações, ela teria vendido os objetos roubados na Praça Sete, no Hipercentro de BH. Os itens levados incluíam relógios, joias e aparelhos celulares.

Comerciantes devolvem itens roubados

Dois comerciantes que compraram os relógios e tênis roubados por Paola, entregaram os itens para a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) nessa terça-feira (7). Ela é suspeita de dopar e matar o advogado Cláudio Atala, de 75 anos, e a esposa dele, Maria Clotilde, de 76 anos. Após o crime, ela teria ido até o Centro da capital vender os pertences das vítimas.

Em nota, a corporação informa que os materiais foram apreendidos e os comerciantes foram ouvidos e liberados. “Após a conclusão dos procedimentos legais, os bens serão restituídos aos familiares da vítima”, destaca.

Quem era o casal

Casados há décadas, Maria Clotilde e Cláudio Atala eram figuras conhecidas no meio profissional em que atuavam e descritos pela família como pessoas ativas e queridas.

De acordo com Henrique Maciel, sobrinho do casal, Maria era dona de uma loja na capital mineira e por muitos anos se destacou como atleta. Já Cláudio era sócio-fundador de um escritório de advocacia no bairro Lourdes, na região Centro-Sul, onde atuava principalmente nas áreas trabalhista e empresarial. Mesmo aos 75 anos, ele continuava exercendo a profissão diariamente.

O casal era conhecido pelo espírito aventureiro e já havia viajado por diversos países. Recentemente, eles haviam retornado de uma viagem aos Estados Unidos. Segundo o sobrinho Henrique Maciel, de quem eram padrinhos de casamento, os tios eram pessoas “cheias de vida” e muito próximas da família. O casal morava na rua Padre Severino há cerca de 20 anos.

A trajetória do dos dois também foi marcada por uma perda dolorosa em 2006, quando a filha deles, triatleta, morreu vítima de um atropelamento. Desde então, eles tinham apenas um filho, que também é advogado e trabalha no escritório fundado pelo pai.

Amanda Serrano

Com experiência nas principais redações de Minas, como Jornal Estado de Minas e TV Band Minas, além de atuação como assessora política, Amanda Serrano é, atualmente, repórter do Portal BHAZ. Em 2024, fez parte da equipe vencedora do Prêmio CDL/BH de Jornalismo.
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