A morte de dois irmãos no bar do Dedinho, no bairro Santa Amélia, na região da Pampulha, em Belo Horizonte, foi motivada por uma disputa pela liderança no tráfico de drogas local. Segundo informações da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), todos os suspeitos faziam parte de uma mesma organização criminosa que comanda a atividade ilegal no aglomerado Vila Nova.
Ainda conforme os relatos, houve um desentendimento entre integrantes do grupo, o que deu início a uma disputa pelo comando da comercialização de entorpecentes. Assim que o irmão envolvido no tráfico postou a sua localização, os suspeitos foram até o local.
O crime
O ataque ocorreu na terça-feira (21), feriado de Tiradentes. Além dos irmãos, outras quatro pessoas, entre 30 e 58 anos, foram atingidas pelos disparos, mas não correm risco de morte.
Imagens de câmeras de segurança registraram a ação dos suspeitos, que estavam em um Ford Ka branco. Três pessoas ocupavam o veículo, sendo que duas desceram e efetuaram disparos, enquanto uma permaneceu na direção.
Prisão e apreensão
De acordo com a PM, na noite dessa quinta-feira (23), dois homens, de 28 e 24 anos, foram presos no bairro Santa Mônica. Outros três suspeitos, de 31, 26 e 43 anos, também foram identificados durante as investigações.
Durante as investigações realizadas em três endereços ligados aos envolvidos, os militares apreenderam 108 buchas de maconha, R$ 556 em dinheiro, 12 munições de calibre 38, 14 munições de calibre 9 milímetros, uma pistola Taurus 9 milímetros modelo G3, um revólver calibre 38 e uma motocicleta Honda CB300R preta.
Mobilização pede que clientes quitem contas
Os clientes que estavam no Bar do Dedinho no momento do ataque, e saíram sem pagar, estão sendo chamados para quitar as contas que ficaram em aberto no local. Com o intuito de escapar dos tiros, muitas pessoas saíram correndo do estabelecimento. Agora, perfis nas redes sociais, como o da Associação do Bairro Santa Amélia e de conhecidos do proprietário, fazem campanha para reduzir os prejuízos do bar.
Segundo a mobilização, “o dono já foi muito prejudicado com tudo o que aconteceu”. Além disso, a orientação é procurar o proprietário pelo perfil do Bar do Dedinho e acertar o valor.
“O problema não é o bar. O que aconteceu ali, poderia ter acontecido em qualquer lugar, bar, restaurante e evento. (…) Depois que tudo passa, fica o prejuízo, a insegurança, a incerteza e, muitas vezes, um julgamento pesado de quem nem conhece a realidade. Se você estava lá e, por conta do ocorrido, acabou saindo sem pagar sua conta, resolva isso. Seja honesto e procure o bar, acerte o que ficou para trás. Parece pequeno, mas, para quem está do outro lado, faz uma diferença enorme”.
Em nota, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel) lamentou o ocorrido e manifestou solidariedade às famílias, amigos e a todos os envolvidos.
“O empresário do setor já enfrenta inúmeros desafios diários para manter seu estabelecimento em funcionamento, sendo constantemente exigido a ter atenção não apenas ao ambiente interno, mas também às questões externas, especialmente relacionadas à segurança”, escreveu.
Além disso, a Abrasel afirmou que situações como essa trazem danos irreparáveis ao estabelecimento e à sociedade. “A Abrasel em Minas Gerais se coloca à disposição para apoiar o empresário no que for necessário neste momento, e espera que os responsáveis por este ato sejam devidamente identificados e responsabilizados”, disse.










