Testes de Covid e novos preços: Atleticanos e cruzeirenses preparam os bolsos para bancar volta aos estádios

Cruzeirenses e atleticanos
Mesmo com valores promocionais, custos para os torcedores podem ser insustentáveis a longo prazo (FOTO ILUSTRATIVA: Pedro Souza/Atlético)

Pela primeira vez desde março de 2020, o Mineirão volta a receber torcedores do Atlético e do Cruzeiro em partidas de futebol nesta semana. A PBH (Prefeitura de Belo Horizonte) liberou a presença do público com até 30% da capacidade do estádio, além de exigir testes negativos de Covid-19 para os torcedores. Agora, além de bancar o valor dos ingressos, atleticanos e cruzeirenses também precisarão desembolsar dinheiro para os exames. A longo prazo, o custo pode se tornar insustentável para alguns.

Nesta quarta-feira (18), o Mineirão recebe o Galo e o River Plate, da Argentina, para a partida de volta das quartas de final da Libertadores. Os ingressos para a partida para sócios Galo na Veia vão de R$ 112 a R$ 310, enquanto os não-sócios podem ir ao jogo pagando de R$ 320 a R$ 620 (inteira). Os sócios ainda podem comprar um ingresso adicional, com 50% de desconto.

Já na sexta (20), os cruzeirenses poderão ir ao estádio para ver o time jogar contra o Confiança, pela Série B do Campeonato Brasileiro. Os sócios das categorias Diamante a Prata têm direito a pelo menos um ingresso gratuito, entre outros benefícios, enquanto os sócios Bronze terão 30% de desconto na entrada. Os ingressos avulsos vão de R$ 70 a R$ 150.

Testes de Covid-19

Além do preço dos ingressos, até mesmo aqueles que já estão vacinados precisam apresentar resultado negativo de teste RT-PCR ou antígeno para Covid-19. Nos laboratório São Marcos e Hermes Pardini, o RT-PCR, exame padrão-ouro para detectar a doença, custa R$ 260. Já os testes de antígeno, cujo resultado sai mais rápido, custam R$ 150 no Hermes Pardini e R$ 195 no São Marcos, normalmente.

Pensando nisso, Atlético, Cruzeiro e Mineirão firmaram parcerias com laboratórios e drogarias para facilitar o acesso dos torcedores aos exames. No São Marcos, atleticanos podem fazer o teste de antígeno por R$ 70 se apresentarem cartão Galo na Veia ou ingresso para o jogo contra o River. No Hermes Pardini, o antígeno sai pelo mesmo valor e o RT-PCR pode ser feito por R$ 130. De acordo com o Mineirão, a parceria com o laboratório seguirá pelos cinco primeiros jogos que fizerem parte da retomada do público ao estádio.

Os torcedores cruzeirenses também terão desconto ou até gratuidade no exame, a depender da categoria de sócio-torcedor. Para as categorias Diamante e Eficiente, o teste é de graça, enquanto os outros sócios pagarão de R$ 28 a R$ 45. Todos os exames, inclusive para aqueles que comprarem ingressos avulsos, serão feitos por meio do Laboratório Integral.

Na Droga Clara e na Drogaria Araújo, quem apresentar o cartão Galo na Veia também ganha desconto no teste de antígeno, pagando R$ R$ 43,90 e R$ 70, respectivamente. Até a Galoucura e a Máfia Azul firmaram parceria e estão oferecendo o exame nas sedes, a R$ 40 e R$ 25, respectivamente. Para os atleticanos, es exames são feitos pelo Laboratório Integral, e a parceria da torcida cruzeirense é com o Laboratório Mais Saúde.

Quanto o torcedor vai gastar?

Com as parcerias, o atleticano sócio-torcedor que comprar o ingresso mais barato e fizer o teste com o menor preço vai desembolsar R$ 152, sem contar com despesas como transporte e alimentação, para ver o Galo jogar contra o River. Aquele que não for sócio e comprar o ingresso e o teste mais baratos vai gastar R$ 360.

Já o torcedor cruzeirense que for sócio, mas que não tiver gratuidade no ingresso e no teste, vai pagar R$ 82 se escolher a entrada mais barata disponível. Quem não é sócio-torcedor e comprar o ingresso mais barato terá que desembolsar R$ 115.

Rotatividade

Com os valores mais altos que o normal, torcedores ainda não sabem se seguirão indo aos jogos com frequência e consideram ir ao estádio em ocasiões especiais, como a disputa pela semifinal da Libertadores. É o caso do estudante de publicidade Hugo Almeida, de 24 anos. Como o pai dele é Galo na Veia preto e comprou um ingresso adicional, Hugo desembolsou R$ 230 para assistir à partida amanhã.

“Estou indo porque deu uma saudade de ir ao Mineirão, e também por ser jogo de Libertadores. Com o avanço da vacinação e a diminuição de casos e mortes, já fica mais tranquilo de ir. Mas quando voltarem os jogos do Brasileirão, acho que não vou estar com tanta vontade de ir aos jogos. Libertadores é um pouco mais especial. Também estou evitando sair ao máximo, ir a vários jogos não seria legal e ficaria bem caro”, conta.

O geógrafo cruzeirense Éric Rezende acredita que, por enquanto, uma “demanda reprimida” por parte da torcida pode fazer com que alguns aceitem gastar valores mais altos para ver o time jogar. Ao mesmo tempo, ele acredita que haverá uma rotatividade dos torcedores no estádio. “O sentimento pelo clube e a saudade de frequentar um espaço que sempre foi o principal lazer de muitos, pesa nessa decisão”, defende.

“Se considerarmos os custos de 3 ou 4 testes por mês para todos os jogos como mandante, o valor total deve inviabilizar a presença constante de grande parte dos torcedores. Aposto em uma maior rotatividade entre os torcedores, em que cada um tenha que escolher apenas um ou dois jogos por mês. A partir do momento em que a vacinação completa for aceita, esse problema tende a se amenizar”, completa.

Elitização do futebol

O torcedor do Cruzeiro reforça que a a crise econômica e o alto índice de desemprego que o país enfrenta tendem a excluir grande parte do público que frequenta os estádios, contribuindo ainda mais para a elitização do futebol. “Sabemos que, de modo geral, o torcedor de arquibancada possui um perfil popular. Portanto, é provável que o processo de elitização, que teve seu auge entre os anos de 2013 e 2014 ganhe força novamente, mesmo que temporariamente”, pontua.

Atualmente, Éric Rezende é sócio-torcedor em uma categoria que garante o ingresso gratuito, e pretende continuar indo aos jogos se os valores promocionais dos testes de Covid-19 se mantiverem. Para ele, a mensalidade de R$ 69 do programa, que já chegou a R$ 115 em 2014, é um valor justo, “mas o longo período sem público nos jogos tornou inviável para muita gente a permanência nessas categorias”.

“Considero essencial que imunização avance e passe a facilitar o acesso aos estádios. Sem isso, muitos torcedores fiéis permanecerão sem conseguir ir aos jogos, tanto pelos custos elevados, quanto pela capacidade reduzida liberada”, finaliza o cruzeirense.

Edição: Vitor Fernandes
Sofia Leão
Sofia Leãosofia.leao@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde 2019 e graduanda em jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Participou de reportagens premiadas pelo Prêmio Cláudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados, pela CDL/BH e pelo Prêmio Sebrae de Jornalismo em 2021.

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