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1ª Turma do STF acompanha Dino e mantém funcionamento de unidades psiquiátricas penais

29/06/2026 às 17h17
1ª Turma do STF acompanha decisão de Dino e mantém funcionamento de unidades psiquiátricas penais
Ministro Flávio Dino é o relator do processo. ( Gustavo Moreno/STF)

A 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) acompanhou a decisão do ministro Flávio Dino e manteve o funcionamento das prisões psiquiátricas em Minas Gerais. Os ministros Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin votaram a favor, em julgamento virtual realizado entre os dias 19 e 26 de junho. Com isso, a determinação interrompe a Política Antimanicomial do Poder Judiciário, pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que estabeleceu o fechamento de todos os hospitais psiquiátricos do país.

As unidades que integram a medida são o Hospital Jorge Vaz, em Barbacena, na região do Campo das Vertentes, e o Centro de Apoio Médico e Pericial (CAMP), em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Os locais recebem pessoas com transtornos mentais submetidas a medidas de segurança determinadas pela Justiça.

O homem que confessou ter decapitado a própria mãe, no bairro Nova Cachoeirinha, em Belo Horizonte, foi encaminhado ao Camp em Ribeirão das Neves, diante da suspeita do diagnóstico de esquizofrenia.

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) havia determinado a interdição parcial dos hospitais. As unidades tinham prazo para fecharem até esta terça-feira (30).

Entretanto, o relator do processo, o ministro Flávio Dino, atendeu ao pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que argumentou que a Rede de Atenção Psicossocial (Raps) do estado ainda não tem estrutura para atender à demanda desses pacientes.

‘Desestruturação de famílias’

O ministro explicou que, embora o CNJ tenha buscado garantir o tratamento adequado das pessoas que necessitam de atendimento de saúde mental, a decisão genérica de interdição pode afetar os pacientes atualmente internados.

“A interdição dos hospitais é capaz de causar a desestruturação de famílias, especialmente as que não têm condições socioeconômicas para cuidar dos familiares desinternados, o que aumenta ainda mais a vulnerabilidade desses pacientes”, afirmou.

Dino observou ainda que as informações da Secretaria Estadual de Saúde (SES-MG), trazidas junto com a petição inicial, atestam que muitos municípios mineiros, especialmente os de pequeno porte, enfrentam limitações técnicas, assistenciais e estruturais para responder às demandas decorrentes da aplicação da portaria.

Não houve voto do ministro Luís Roberto Barroso devido à aposentadoria dele.

Ana Magalhães

Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foi estagiária do Jornal Estado de Minas e do programa Agenda da Rede Minas de Televisão. Repórter do BHAZ desde agosto de 2024.
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