A BR-040 passará a ter 4 faixas em cada sentido entre Belo Horizonte e Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de BH. Hoje, grande parte do trecho tem duas faixas e apenas alguns segmentos contam com três.
A expectativa da Via Cristais é iniciar as obras em 2026, com execução por etapas: a primeira, entre BH e Contagem, deve ser concluída até 2027; a finalização até a rotatória de entrada de Neves está prevista para 2028. As informações foram detalhadas pelo CEO da concessionária, Tulio Abi-Saber, em entrevista ao BHAZ.
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Segundo ele, o trecho até Ribeirão das Neves é particularmente desafiador por motivos de segurança e pela presença urbana ao longo da rodovia.
“É um trecho marcado por vários acidentes, a maior parte deles de pequena monta. É também marcado pela presença da população urbana na rodovia. Então, com as marginais, com os novos pontos de ônibus nas marginais, com a via segregada, a gente dá mais segurança pras pessoas.”
Abi-Saber explica que a expansão prevê quatro faixas por sentido na via principal e duas em cada sentido nas marginais, ao longo de toda a área urbana de BH e Neves.
“Ao longo desse trecho a gente também vai tirando os cruzamentos que têm na rodovia, em vários dos pontos sensíveis. Todos, principalmente aqueles de ocupação urbana, substituindo por viadutos, na mesma posição ou muito próxima dali”, detalhou.
A ideia é melhorar o trânsito e reduzir pontos críticos. Para isso, a Via Cristais discute soluções com as prefeituras de Belo Horizonte, Contagem e Ribeirão das Neves.
O CEO afirma que parte dos problemas não está diretamente na BR-040, mas sim nas vias municipais que se encontram com a rodovia. “Não depende só da rodovia tirar o gargalo. Por exemplo, a entrada do Viaduto das Américas, em Contagem”, afirma.
Ele cita também a situação do encontro com o Anel Rodoviário, um dos principais pontos de retenção.
“A gente tá discutindo com as prefeituras justamente porque, onde tem essas questões, é possível trabalhar junto e trazer o benefício máximo. Por exemplo, todos os dias de manhã a gente tem um congestionamento chegando em Belo Horizonte. Isso reflete lá em Neves. Nós chegamos a ter 10 km de engarrafamento pela manhã. Quando você coloca as quatro faixas por sentido, mais a marginal, você separa o tráfego que está indo para uma distância e o tráfego entrando na cidade”, comentou.
Outras melhorias
Abi-Saber afirma que a Via Cristais tem dialogado com municípios e com o Governo de Minas para que a reestruturação da BR-040 também melhore os sistemas de transporte coletivo.
“Hoje é um trabalho muito bem conduzido de forma conjunta, em que a gente é constantemente provocado pelos gestores públicos de Belo Horizonte, Contagem, Ribeirão das Neves e do governo estadual. No sentido de: ‘vamos pensar aqui como um todo para resolver a mobilidade das pessoas’, e não só um ponto de infraestrutura”, comenta.
“Nesse sentido, temos um trabalho público em que, a partir da provocação deles, a ANTT nos solicitou e nos autorizou a fazer um estudo para melhorar inclusive o transporte público. Não só o encaixe no Anel Rodoviário, que é superimportante, mas toda a mobilidade no eixo da BR-040”, completou.
Além das obras previstas no contrato de concessão, a Via Cristais negocia com operadoras de telefonia a instalação de antenas para garantir conexão 4G em toda a extensão da estrada. Novidades sobre o projeto devem ser anunciadas em breve.
“Hoje a rodovia, por sinal, é muito pouco servida de comunicação móvel. Nós estamos trabalhando com as empresas de telefonia para implantar e viabilizar a conectividade 4G. Essas torres não estão em trechos urbanos, então não têm energia elétrica. Às vezes a energia tá a 20, 30 km de distância e você tem que fazer toda a infraestrutura até a torre”, comentou Abi-Saber.
Histórico
Nos sete primeiros meses de operação, a Via Cristais focou em ações de recuperação da via, além de garantir a operação. Dentre as ações realizadas, estão:
- 1.700 km de faixas pintadas
- 2.000 pontos de drenagem revitalizados
- 8.000 placas instaladas
- 71 mil tachas reflexivas
- 16.500 metros de defensa metálica
- 42 mil balizadores reflexivos
- 75 mil metros de cerca
“Como a gente fez grandes reparos, ao longo do tempo a gente vai melhorando a superfície da rodovia. Ela vai oscilando cada vez menos. Então, a sensação do motorista é de uma rodovia mais estável, em que o veículo fica mais estável na pista e, portanto, mais seguro. Ela está em condições seguras, dentro da norma, toda adequada. Não estava até então. Agora está”, disse o CEO da concessionária.
A expansão da estrutura da BR-040 é uma das ações que a Invepar, antiga concessionária da rodovia, deixou de fazer quando devolveu a licitação alegando incapacidade financeira para operar o projeto. A empresa encerrou as atividades na via em agosto de 2024 após um processo de devolução iniciado em 2019.
A Invepar tinha como obrigação duplicar 557 quilômetros de rodovia, mas encerrou o contrato com 73 quilômetros duplicados. Foram isso, das 50 passarelas previstas, apenas cinco foram entregues.
A companhia era responsável pela BR-040 entre Juiz de Fora e Brasília. Após a devolução da rodovia, o Governo Federal dividiu o trecho em três blocos para fazer a nova licitação. São eles: 315 km entre Brasília (DF) e Cristalina (GO), 595 kmk entre Cristalina (GO) e Belo Horizonte (MG) e 495 km entre Belo Horizonte (MG) e Rio de Janeiro (RJ).
A Via Cristais é responsável pela faixa que começa em Belo Horizonte e termina em Cristalina. O Governo Federal calcula que 70 mil veículos trafegam no trecho diariamente, sendo 68% caminhões. Uma das regiões mais movimentadas é a da Região Metropolitana.
Uma das diferenças percebidas pelos usuários entre as duas concessões foi o valor do pedágio. Na praça Capim Branco, que dá acesso a Sete Lagoas, por exemplo, saiu de de R$ 6,20 para R$ 15,50 na tarifa básica.
“Está no contrato que o valor é uma tarifa de investimento. O valor existente anteriormente não tinha investimento. Eu pergunto para o usuário e a grande maioria dos usuários que participou das audiências públicas defendeu o projeto porque é sabido que a concessão anterior não entregava aquilo que era esperado. Hoje, temos valores compatíveis com os investimentos que estão sendo realizados”, explicou na época o diretor da ANTT, Guilherme Theo Rodrigues da Rocha Sampaio, sobre a variação.











