Durante décadas, Sabará foi lembrada principalmente por seu patrimônio histórico, herança do Ciclo do Ouro que permanece preservada em igrejas, casarões, ruas de pedra e monumentos reconhecidos nacionalmente. Hoje, esse legado continua sendo um dos principais ativos da cidade, mas assume também outra função: impulsionar o turismo, fortalecer pequenos negócios e movimentar a economia local.
Esta série de reportagens produzida pelo BHAZ parte dessa relação entre patrimônio e desenvolvimento. Mais do que apresentar atrações turísticas, o conjunto busca mostrar como diferentes elementos da identidade sabarense, desde a arquitetura colonial à gastronomia, passando pelas manifestações culturais e religiosas, contribuem para gerar oportunidades de trabalho, renda e empreendedorismo.
Ao longo das reportagens, o leitor acompanha como a jabuticaba deixou de ser apenas uma fruta típica para se tornar patrimônio imaterial, produto de indicação geográfica, fonte de renda para dezenas de famílias e protagonista de um dos principais festivais gastronômicos de Minas Gerais. A produção artesanal, transmitida entre gerações, impulsiona pequenos empreendedores e amplia o potencial turístico do município.
A série também percorre o patrimônio histórico e religioso de Sabará, revelando como igrejas tricentenárias, o Teatro Municipal, que é segundo mais antigo em funcionamento no Brasil, e outros bens culturais preservados atraem visitantes durante todo o ano e fortalecem atividades ligadas ao comércio, aos serviços e ao turismo.
Mais do que reunir roteiros turísticos, as reportagens evidenciam como história, cultura, gastronomia e empreendedorismo formam uma cadeia interdependente. Ao valorizar seus patrimônios material e imaterial, Sabará preserva sua memória e, ao mesmo tempo, cria oportunidades para produtores, comerciantes, artesãos, cozinheiros, guias e demais profissionais que encontram na atividade turística uma importante fonte de desenvolvimento econômico.
Jabuticaba: como a fruta virou ‘ouro negro’ e patrimônio cultural da cidade
A jabuticaba deixou de ser apenas uma fruta cultivada nos quintais de Sabará para se tornar um dos maiores símbolos culturais e econômicos da cidade. A tradição ganhou força com as famílias produtoras, que passaram a transformar a fruta em geleias, licores, vinhos, cachaças, queijos e outros derivados, impulsionando a criação do Festival da Jabuticaba em 1987. Desde então, a fruta consolidou sua importância para a identidade do município, sendo reconhecida como patrimônio imaterial de Sabará e responsável por movimentar a economia local, especialmente durante o festival.
Um outro sabor da identidade de Sabará
Mais do que um ingrediente da culinária mineira, o ora-pro-nóbis também faz parte da história e do cotidiano de Sabará. A planta se tornou uma marca da gastronomia local e ganhou espaço em receitas tradicionais preparadas por famílias da cidade. Essa tradição gastronômica impulsionou a criação do Festival do Ora-pro-nóbis, realizado anualmente no bairro Pompéu, e transformou a iguaria em um dos principais atrativos turísticos da cidade.
A fé que também movimenta a cidade
Um dos principais atrativos de Sabará, as igrejas históricas, reconhecidas pela relevância arquitetônica e artística, atraem visitantes interessados na história, na arte barroca e na religiosidade mineira. Esse fluxo turístico contribui para o fortalecimento de diferentes atividades econômicas, beneficiando comerciantes, estabelecimentos gastronômicos e prestadores de serviços instalados no entorno dos principais monumentos.
A história de Sabará começa no fim do século XVII, quando a descoberta de ouro às margens do Rio das Velhas atraiu bandeirantes e deu origem aos primeiros arraiais que estruturariam a futura cidade. Como em outras áreas mineradoras de Minas Gerais, a vida cotidiana se organizava em torno da fé, e as igrejas de Sabará passaram a funcionar não apenas como espaços religiosos, mas também como referências urbanas, sociais e culturais.
Hoje, esse patrimônio transforma a cidade em um destino relevante para o turismo religioso em Minas Gerais. Mais do que admirar altares e fachadas históricas, quem visita as igrejas de Sabará entende de que maneira a fé ajudou a construir um dos conjuntos arquitetônicos mais antigos e representativos do estado, localizado a menos de uma hora de Belo Horizonte.
Um palco que mantém a cultura em cartaz
Além de preservar mais de dois séculos de história, o Teatro Municipal de Sabará desempenha um papel importante na economia do município. Um dos principais cartões-postais da cidade, o espaço atrai turistas durante todo o ano e integra os roteiros do Centro Histórico, contribuindo para movimentar hotéis, restaurantes, guias de turismo, lojas e outros serviços ligados ao setor.
Sabará além do passado
Igrejas, teatro, gastronomia, construções históricas… Sabará é uma cidade que te proporciona uma atmosfera típica do interior mineiro, mesmo localizada a menos de uma hora de Belo Horizonte. Uma das primeiras vilas do ouro em Minas Gerais, o arraial que se tornaria cidade começou a se formar no final do século XVII, quando, por volta de 1674, bandeirantes se estabeleceram na região em busca do mítico Sabarabuçu, um suposto “monte resplandecente” que refletia luz como se fosse feito de metais preciosos.
Ao longo da expedição, a bandeira de Fernão Dias e seu genro Borba Gato, liderada pelo capitão Matias Cardoso de Albuquerque, ergueu diversos arraiais mineradores às margens do Rio das Velhas, perto do encontro com o Rio Sabará. O lugar logo se tornou um ponto estratégico para quem cruzava o sertão.
Entre as décadas de 1670 e 1680, esses pequenos núcleos cresceram, impulsionados pela descoberta de ouro de aluvião. Vieram as igrejas, as casas mais permanentes e, no início do século XVIII, Sabará já despontava como uma das vilas mais ricas da mineração, elevada a Vila Real de Nossa Senhora da Conceição de Sabará.
O município é ‘acolhimento’
Mas o que faz Sabará continuar viva na memória afetiva de quem passa por ela vai além da história do ouro. É uma cidade que se orgulha de ser acolhedora. “Sabará é bem mãezona nesse aspecto”, resume a moradora Maria Bernadete Granja. Ela fala da sua cidade natal como um lugar onde as raízes permanecem, onde muitos estudam ou trabalham fora, mas fazem questão de voltar “para os encontros familiares e para o aconchego do colo da mãe”.
Na rotina, no clima e nas montanhas preservadas, Sabará cultiva esse jeito de interior que acolhe sem pressa. E cultiva também sabores. “Nossa culinária é maravilhosa e o nosso artesanato desempenha uma papel muito importante”, afirma. O ora-pro-nóbis, a jabuticaba, as receitas caseiras e o artesanato tradicional, como a palma barroca e a renda turca, reforçam esse vínculo entre memória, comida e identidade.
Elevada à categoria de cidade em 1838, Sabará se firmou como um polo administrativo, religioso e comercial da região do Rio das Velhas, um papel que ainda se reflete na arquitetura colonial preservada, nas igrejas e na forte identidade cultural que atravessou os séculos. Hoje, o município permanece como um dos destinos históricos mais importantes de Minas, com um roteiro turístico rico e afetivo pronto para ser explorado!










