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STJ julga hoje se ex-presidente da Vale volta a ser réu por tragédia em Brumadinho

07/04/2026 às 09h58
Fábio Schvartsman VALE-agencia brasil
(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) deve retomar, nesta terça-feira (7), o julgamento do recurso que pode tornar Fábio Schvartsman, ex-presidente da Vale S.A., novamente réu na ação que apura responsabilidades pelo rompimento da barragem de Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, que matou 272 pessoas. O recurso é do Ministério Público Federal (MPF), que tem o intuito de reabrir ações penais relacionadas à tragédia.

No dia 17 de março, a 6ª Turma do STJ adiou pela terceira vez a decisão sobre o recurso, após o ministro Og Fernandes pedir vista. Ao todo, três magistrados se posicionaram, sendo que o relator do processo, Sérgio Reis Júnior, e Rogério Schietti votaram pela reiclusão do executivo no banco dos réus. Segundo eles, o MPF trouxe alegações suficientes que ligam o denunciado aos crimes.

O ministro Antonio Saldanha Palheiro, que, em dezembro de 2025, havia pedido vista do recurso, votou contra. Para ele, não é “razoável” cobrar do presidente da mineradora que controle a situação de todas as barragens. Até o momento, dois ministros que compõem a turma responsável pelo julgamento ainda precisam se manifestar.

Julgamento suspenso desde dezembro

Antes do último adiamento, o julgamento estava suspenso desde 16 de dezembro de 2025, após o ministro Palheiro pedir vista do recurso.

Schvartsman se tornou réu no caso em 2020, junto a outras 16 pessoas, além das empresas Vale e TÜV SÜD. Em março de 2024, o executivo teve a ação penal suspensa após o TRF-6 conceder habeas corpus, sob o entendimento de que não havia indícios de sua participação nos crimes investigados. No entanto, o MPF recorreu da decisão.

O recurso solicita que Schvartsman, denunciado por homicídio qualificado e crimes ambientais, seja reincluído na lista de possíveis responsáveis pelo rompimento da barragem. Os demais réus também serão julgados pelo TRF-6.

Entenda os adiamentos

Em setembro de 2025, o relator do processo, Sebastião Reis, votou pela procedência do recurso. Segundo ele, a decisão que retirou o ex-presidente da Vale do processo “violou o artigo 413 do CPP por ter adentrado no exame aprofundado e pormenorizado de fatos e provas indiciárias, usurpando a competência do juízo natural da causa”.

No entanto, o julgamento foi suspenso após o ministro Rogério Schietti Cruz pedir mais tempo para analisar o processo. Em dezembro de 2025, o magistrado acompanhou o voto do relator, posicionando-se de forma favorável ao recurso.

Caso todos votem nesta terça-feira (7), Schvartsman poderá voltar a responder penalmente pela tragédia, em processo separado, já que as audiências de instrução e julgamento do caso já tiveram início em Belo Horizonte.

Tragédia de Brumadinho

Em 25 de janeiro de 2019, a barragem B-I da mina Córrego do Feijão, da mineradora Vale, se rompeu e despejou cerca de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos sobre comunidades e áreas de preservação em Minas Gerais. A onda de lama matou 272 pessoas, contaminou o rio Paraopeba e deixou um rastro de destruição ambiental sem precedentes no estado.

Construída em 1976 pela Ferteco Mineração pelo método de alteamento a montante, a estrutura foi adquirida pela Vale em 2001. Com 86 metros de altura e 720 metros de comprimento de crista, a barragem era utilizada para a disposição de rejeitos do beneficiamento de minério de ferro. Segundo a empresa, estava inativa no momento do rompimento e passava por processo de descaracterização.

Os impactos ultrapassaram os limites da mina e alcançaram mais de 20 municípios ao longo de centenas de quilômetros, atingindo vegetação, fauna e outros cursos d’água.

Ana Magalhães

Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foi estagiária do Jornal Estado de Minas e do programa Agenda da Rede Minas de Televisão. Repórter do BHAZ desde agosto de 2024.
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